O conflito regional e a crise do petróleo provocam uma contração económica
No caso de um conflito prolongado no Irão, as perspetivas macroeconómicas do Kuwait deteriorar-se-iam significativamente devido à sua elevada dependência do setor dos hidrocarbonetos (quase 45 % do PIB), à sua total dependência do Estreito de Ormuz para as exportações de petróleo e à limitada diversificação económica. As perturbações na produção e nas exportações de petróleo estão a impulsionar, em primeiro lugar, a recessão económica, o que afeta diretamente a atividade global e se repercute na economia não petrolífera através de uma menor confiança, do adiamento de investimentos, de condições financeiras mais restritivas e de receitas públicas mais baixas. O Kuwait é um dos países do Golfo mais dependentes do Estreito de Ormuz para as suas exportações de hidrocarbonetos, com 100 % das exportações a passarem por este estreito. As perturbações no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz obrigaram o Kuwait a reduzir a produção de petróleo para cerca de 500 000 barris por dia (bpd), face aos quase três milhões de bpd registados antes do início da guerra. A deterioração das condições de segurança afetará também as viagens, as cadeias de abastecimento e as exportações e importações não petrolíferas. Além disso, as importações de GNL do Catar, que são cruciais para a produção de energia a nível nacional, poderão enfrentar desafios logísticos e relacionados com a segurança. Tal exercerá pressão sobre o abastecimento energético interno e a capacidade de produção de eletricidade.
Ao mesmo tempo, prevê-se que as pressões inflacionistas aumentem, principalmente devido a fatores externos. Os custos de importação mais elevados, resultantes de perturbações na cadeia de abastecimento e do aumento dos preços globais do transporte marítimo, deverão contribuir para a inflação interna, particularmente através dos preços dos alimentos. Isto realça a vulnerabilidade do Kuwait à inflação importada, apesar das condições relativamente moderadas da procura interna. Neste contexto, prevê-se que a política monetária continue sob pressão. O dinar do Kuwait está indexado a um cabaz de moedas com uma componente significativa em dólares, o que limita a capacidade do banco central de se afastar da política monetária dos EUA. Em resposta, o banco central optou por medidas de apoio macroprudenciais em vez de ajustar as taxas de juro, incluindo a flexibilização dos requisitos de liquidez e de capital, a libertação de reservas de capital e o aumento da capacidade de concessão de crédito dos bancos. Estas medidas visam sustentar os fluxos de crédito e atenuar o impacto económico do conflito. No entanto, estas medidas apoiam principalmente as condições financeiras, em vez de estimularem diretamente a procura de crédito. Por conseguinte, a política monetária é apenas parcialmente eficaz como instrumento de estabilização.
A queda das receitas dos hidrocarbonetos provoca a deterioração das contas orçamentais e externas
Prevê-se que a situação orçamental se deteriore acentuadamente, principalmente devido à elevada dependência do Kuwait das receitas dos hidrocarbonetos, que representam 90% das receitas orçamentais totais. Uma diminuição da produção e das exportações de petróleo enfraqueceria diretamente as receitas do Estado. Ao mesmo tempo, as pressões sobre as despesas aumentariam, à medida que o governo procura mitigar o impacto da crise na economia interna. O Kuwait dispõe de reservas financeiras substanciais, incluindo um valor estimado de 1 bilião de dólares em ativos na Autoridade de Investimento do Kuwait (KIA), o seu fundo soberano (cerca de 650% do PIB). Estes ativos permitiriam à política orçamental manter a flexibilidade e atenuar os impactos do conflito na economia.
O saldo da balança corrente enfraquecer-se-á devido à dependência do país das exportações de hidrocarbonetos. As perturbações nos fluxos de exportação de petróleo afetarão as receitas de exportação (cerca de 90% do total), enquanto os custos de transporte elevados e as restrições na cadeia de abastecimento aumentarão o custo das importações, reduzindo ainda mais o excedente externo. Além disso, as exportações do Kuwait dependem fortemente do setor energético. Sem fontes alternativas de exportação, uma queda nas receitas petrolíferas afetaria diretamente a posição externa do país. Por último, uma vez que as importações de alimentos e equipamentos são necessidades ineludíveis, o Kuwait não pode reduzir facilmente as despesas com importações para estabilizar a sua balança comercial.
Apesar destas pressões, que são agravadas pelo défice estrutural nos serviços e pelos pagamentos de remessas, as reservas internacionais do banco central (que cobrem cerca de 10 meses de importações) e as reservas substanciais do seu fundo soberano constituem um importante amortecedor contra choques externos. No entanto, uma perturbação prolongada conduziria a uma erosão mais acentuada do excedente da balança corrente, reforçando assim a exposição estrutural da economia à volatilidade do mercado dos hidrocarbonetos.
A geopolítica regional constitui um risco fundamental
Os riscos políticos no Kuwait decorrem de uma combinação de atritos institucionais internos e de tensões regionais acentuadas, que, em conjunto, aumentam a incerteza económica. A nível interno, os atritos recorrentes entre o governo e o parlamento (suspenso em 2024) resultam frequentemente em atrasos nas principais reformas económicas e orçamentais. Esta rigidez institucional limita a capacidade do governo de responder de forma rápida e decisiva a choques económicos, especialmente no que diz respeito à consolidação orçamental, à reforma dos subsídios e à diversificação económica.
Na região, os riscos geopolíticos aumentaram consideravelmente devido à guerra no Irão e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Devido à sua proximidade com a zona de conflito e à forte dependência das rotas marítimas de exportação, o Kuwait está a sofrer repercussões diretas, incluindo perturbações nas exportações de petróleo, nos fluxos comerciais e no sentimento dos investidores. Embora o Kuwait disponha de fortes parcerias de defesa — por exemplo, com os EUA —, estas parcerias servem principalmente como um fator estabilizador, em vez de proporcionarem proteção total contra os efeitos colaterais regionais. Consequentemente, é provável que o Kuwait continue fortemente exposto a riscos geopolíticos acrescidos.

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