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2018/12/11
Risco País e Estudos Económicos

A meio caminho do seu processo de diversificação comercial, os Emirados Árabes Unidos ainda não estão integrados na cadeia de valor internacional

A meio caminho do seu processo de diversificação comercial, os Emirados Árabes Unidos ainda não estão integrados na cadeia de valor internacional
  • Graças à sua localização estratégica, os Emirados Árabes Unidos (EAU) desempenham um papel central nas exportações e re-exportações, conforme demonstrado pelos vários acordos económicos e de cooperação com outros países.
  • O novo envolvimento na iniciativa One Belt One Road[1], representa um risco e uma oportunidade para os EAU.
  • No entanto, o país ainda está a meio caminho do processo de diversificação, e ainda está por integrar as cadeias de valor globais.

 

Diversificação contínua para compensar a dependência do petróleo

 

Nas últimas três décadas, os EAU tornaram-se na segunda maior e mais diversificada economia do Conselho de Cooperação do Golfo, através da implementação de regulamentos específicos em diversas matérias, como sejam, investimentos, barreiras comerciais e restrições que permitam a expansão do sector privado.  Entre 2000 e 2017, a participação das receitas do petróleo na receita orçamental total diminuiu 7 pontos percentuais, para 53%. As exportações do petróleo e derivados diminuiu para 16% do total das exportações em 2016, contra 76% em 2000. As exportações de plástico, madeira e papel, pedras preciosas, cimento, produtos de transporte e metais aumentaram ao longo do período.

 

Apesar destes resultados positivos, os EAU aparentam não terem ainda integrado as cadeias de valor integradas globais; apenas estão integrados os combustíveis, os metais, o minério e as pedras, representando uma parcela muito pequena do sector da indústria transformadora. Esta situação impede as empresas dos EAU de implementarem um processo de produção em diferentes países, o que resulta numa integração limitada na cadeia de valor global, apesar dos esforços contínuos de diversificação económica e comercial do país.

 

 

A iniciativa One Belt One Road: uma fonte de benefícios e riscos

 

Os EAU assinaram vários acordos de comércio e investimento com muitas outras economias, favorecendo a China, também em resultado da iniciativaOne Belt One Road(“OBOR”) lançada em 2013. Estes acordos podem impulsionar o comércio e o investimento e permitir que o país tenha acesso a mercados mais amplos, especialmente em relação aos sectores da construção, metais, comércio, logística e hidrocarbonetos.

 

O valor do comércio bilateral entre os Emirados Árabes Unidos e a China atingiu os 52,7 mil milhões de dólares em 2017, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. O volume de comércio não petrolífero situou-se nos 3,5 mil milhões de dólares, enquanto que as importações atingiram os 31,9 mil milhões. As principais exportações dos Emirados Árabes Unidos para a China são, actualmente, lingotes de alumínio, fertilizantes químicos, petróleo e polietileno, enquanto que as importações são principalmente voltadas para os produtos têxteis, o vestuário, os produtos de metal, a maquinaria e a electrónica. Em 2018, no âmbito da iniciativaOne Belt One Road, o volume de comércio não petrolífero entre a China e os Emirados Árabes Unidos deverá aumentar para 58 billiões de dólares, uma vez que a iniciativa daria à federação a oportunidade de reforçar a sua posição regional de exportações e investimentos. No geral, os EAU e a China já assinaram 13 acordos e memorandos de entendimento em vários segmentos, permitindo aos EAU atrair mais investimentos da China, que actualmente não está entre os dez principais investidores directos estrangeiros da federação.

 

No entanto, várias preocupações ainda presentes relativamente à iniciativaOne Belt One Road. A instabilidade geopolítica e as tensões políticas, experimentadas por muitos países envolvidos, podem afectar os Emirados Árabes Unidos na eventualidade de uma crise regional generalizada. Simultaneamente, a desaceleração da economia chinesa também pode pesar sobre a indústria dos EAU, o que reduziria a procura por produtos petroquímicos e de petróeo dos EAU. Além disso, qualquer medida proteccionista adicional dos EUA contra a China, na actual guerra comercial, pode afectar negativamente os sectores de comércio e logística dos EAU.

[1] A iniciativa chinesa One Belt One Road (“OBOR”) lançada em 2013 ambiciona ligar a Ásia, África e Europa através da terra e do mar por meio de seis corredores económicos.

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