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2019/10/01
Risco País e Estudos Económicos

Empresas francesas em 2019: Prevê-se um aumento das insolvências, mas as margens de lucro mais elevadas vão amortecer o impacto da desaceleraçã...

Empresas francesas em 2019: Prevê-se um aumento das insolvências, mas as margens de lucro mais elevadas vão amortecer o impacto da desaceleraçã...

  

  • Após dois anos de melhoria, as insolvências estão a aumentar e essa tendência deverá continuar em 2019 (previsão de +0,8%)
  • Esta tendência afecta principalmente as microempresas com rendimentos inferiores a 500.000€
  • O desempenho decepcionante das exportações das empresas francesas, deve-se, em parte, à sua escolha de aumentar as margens de lucro
  • Isto aplica-se à maioria dos principais sectores de exportação: automóvel, farmacêutico, aeronáutico e agro-alimentar
  • Mas esta recuperação das margens será uma vantagem para amortecer o impacto da desaceleração do comércio global em 2019

 

Aumento das insolvências no 3º trimestre

 

No terceiro trimestre de 2018, após dois anos de melhoria, as empresas francesas registaram uma inversão da tendência com o número de insolvências a aumentar +2,3% (comparado com o trimestre homólogo em 2017), em consonância com o abrandamento do crescimento (1,6% em 2018) e o consumo. Nove das treze regiões são afectadas, nomeadamente a região da Île-de-France, que historicamente testemunhou numerosas insolvências, mas a extensão do aumento foi limitada pela diminuição nas regiões de PACA (Provence-Alpes-Côte d'Azur) e Auvergne-Rhône-Alpes. Nesta fase, apenas as microempresas com rendimentos inferiores a 500.000€ são afectadas. Os aumentos mais rápidos registaram-se nos sectores dos transportes (+19,7%), particularmente nos táxis (+43%), e a agricultura e pesca (+15,2%). Os sectores da construção (+1,9%) e serviços pessoais (+8,8%), que juntos representam quase metade de todas as insolvências, sofreram uma deterioração adicional.

 

Antes desta reviravolta, desde 2014 que as empresas conseguiram regressar à rentabilidade. No final de Setembro de 2018, face ao ano anterior, as insolvências diminuíram -4,5%, os seus custos financeiros e de emprego caíram -5,4% e -4,8% respectivamente, confirmando a melhoria na saúde das grandes empresas. Paradoxalmente, o aumento da competitividade dos custos (+ 5,5% entre 2014 e 2016), atribuído à entrada em vigor do Crédito Tributário à Competitividade e ao Emprego (CICE) e à redução das contribuições das entidades patronais no âmbito do Pacto de Responsabilidade e Solidariedade, não se traduziu num melhor desempenho da exportação.

 

Os principais sectores de exportação escolhem as margens à custa da quota de mercado Internacional

 

O desempenho das exportações em França é ainda mais decepcionante porque difere das outras grandes economias da Zona Euro. Desde 2014, Espanha (+1,9%), Itália (+0,8%) e Alemanha (+0,3%) viram o seu desempenho nas exportações melhorar, enquanto França diminuiu (-0,4%). No entanto, a competitividade dos custos nesses países melhorou muito pouco (+2,2% em Espanha, +0,9% em Itália), ou até mesmo diminuiu (-0,3% na Alemanha).

 

Esta discrepância relacionada com os lucros na competitividade dos custos em França e o seu desempenho nas exportações, é explicada pelo facto das empresas apenas repassarem parcialmente esses ganhos nos preços de exportação e preferirem restaurar as margens, em vez de ganhar quota de mercado.

-       Isto é verdade para a maioria dos sectores de exportação, que viram a sua balança comercial agravar-se entre 2014 e 2016:automóvel, aeronáutica, farmacêutica,agro-alimentar, informática e equipamentos eléctricos.

-       Poucos sectores preferiram reduzir a sua margem :Engenharia mecânicafoi uma excepção.

-       É de salientar que alguns sectores conseguiram aumentar as suas margens e ao mesmo tempo melhorar a balança comercial: aindústria química, impulsionada pela queda de custos dos consumos e pela redução das importações de alguns produtos, mas também osector dos instrumentos de precisãoea indústria de bebidas alcoólicas.

 

2019: restaurar as margens seria uma vantagem para amortecer o impacto da desaceleração do comércio global

 

Em 2019, a Coface prevê uma recuperação no número de insolvências em França +0,8%, após uma redução de -3,4% em 2018. Espera-se uma desaceleração do crescimento do PIB para 1,5% em 2019, devido à deterioração do ambiente internacional, associado ao aumento do proteccionismo e às limitações da oferta. O índice de confiança para a construção, que é um dos indicadores utilizados no modelo da Coface, deverá continuar a diminuir também.

 

Apesar deste retrocesso, a margem deverá manter-se estável num nível confortável em 2019 e permitir às empresas mitigar os efeitos da desaceleração do comércio global, ou até mesmo alcançar ganhos no desempenho das exportações. As medidas contidas no Projecto de Lei Financeira em 2019 não deverão ter um impacto significativo na saúde das empresas. O efeito líquido negativo do Crédito Tributário para a Competitividade e Emprego (CICE), que passa a uma redução permanente dos encargos dos empregadores, devido ao aumento decorrente do lucro tributável das empresas, deverá ser compensado pelo contínuo aumento da produtividade.

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