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2017/31/01
Risco País e Estudos Económicos

2017: Um ano com riscos políticos e bancários para os países emergentes

2017: Um ano com riscos políticos e bancários para os países emergentes

Apesar da recente retoma económica, este ano as incertezas vão continuar a dominar o ambiente económico e social.

 

O Comércio mundial está sob a ameaça do proteccionismo

 

Após dois anos consecutivos de crescimento mundial lento, perspectiva-se uma ligeira melhoria para o ano de 2017 (de 2,5% para 2,7%). Esta situação resultará da  recuperação económica nos países emergentes (crescimento na ordem dos 4,1%), com as recuperações do Brasil e da Rússia a contrabalançar o abrandamento económico da China. Os países mais avançados vão registar um crescimento estável de 1,6%    

 

O fraco desempenho do comércio mundial (com uma previsão de 2,4% para 2017, comparado com médias de 2,2% entre 2008 e 2015 e 7,0% entre 2002 e 2007) pode ser ainda  agravado com o ressurgimento de medidas proteccionistas, consequentes da eleição de Donald Trump. No curto prazo, estas medidas terão um impacto menor na economia norte-americana no final do ciclo (+1,8%), do que nos países que exportam para os EUA em grandes quantidades, tais como os da América Central (nomeadamente as Honduras, El Salvador, o México e o Equador) e algumas nações asiáticas (como o Vietname e a Tailândia).

 

Devido à grande dependência doMéxicoem relação às exportações para os EUA (que representam cerca de 7% do PIB), e num contexto de aumento da inflação e decréscimo nos investimentos, a Coface agravou o nível de risco do país paraB. AArgentina,no entanto, deverá manter-se relativamente imune ao efeito “Trump” e, após um ano dificil, deverá começar a colher os dividendos das reformas estruturais que realizou. Por essa razão,  a  Coface melhorou o nível de risco da Argentina paraB.  

 

Riscos políticos globais atingem um nível recorde em 2017

 

Em 2017, os riscos políticos vão continuar a ser a principal preocupação.

 

Entre as economias avançadas, é a Europa que enfrenta as maiores incertezas ao nível político, enquanto aguarda o resultado de várias batalhas eleitorais decisivas e os trâmites exactos do Brexit. Durante o ano transacto, o indicador de risco político Europeu da Coface cresceu uma média de 13 pontos para a Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido. No caso de uma surpresa eleitoral, na mesma escala do referendo britânico, o crescimento Europeu deverá abrandar uma média de 0,5 pontos.    

 

Nos países emergentes os riscos políticos são mais elevados do que nunca, fruto do descontentamento social e dos riscos acrescidos de insegurança. A CEI – Comunidade de Estados Independentes (devido à Rússia, com uma avaliação de 63% em 100% no ano de 2016) e as regiãos do Norte de África/Médio Oriente (com a Turquia e a Arábia Saudita ambas nos 62%) apresentam os maiores riscos entre as economias emergentes. O aumento de frustrações político-sociais naÁfrica do Sulsão parte da explicação para o agravamento da sua avaliação paraC, num contexto de crescimento muito pobre.

 

Os riscos de segurança, que incluem ataques terroristas, conflitos e homicídios, são um novo factor no novo indicador de risco político. Sem surpresa, este encontra-se mais elevado na Rússia e na Turquia.             

 

Riscos de crédito: elevados níveis de endividamento nas empresas são uma ameaça para o sector bancário em países emergentes.

 

Este aumento dos riscos de crédito pode assumir várias formas, tendo em conta o país.

 

O nível de insolvências deve continuar a decrescer nas economias avançadas. Apesar desta situação, a quantidade de novas empresas criadas é normalmente mais baixa que o ocorrido na pré-crise (entre 2015 e os níveis de pico pré-crise, a Alemanha registou uma variação de -19,8%, os EUA -5,1% e a Itália com -4,1%). Os empréstimos concedidos às empresas com elevados níveis de endividamento consomem os recursos ao dispor das novas empresas em rápido crescimento.

 

O endividamento excessivo por parte das empresas é também outro problema para as economias emergentes. As empresas Chinesas apresentam o grau de endividamento mais alto (equivalente a 160% do PIB) tendo esta dívida aumentado cerca de 12 pontos do PIB entre o segundo trimestre de 2015 e o segundo trimestre de 2016. A taxa de incumprimento no sector bancário encontra-se em franco crescimento na Rússia, Índia, Brasil e China, enquanto, por outro lado, as condições de crédito se tornam cada vez mais rígidas.

 

Melhorias na Europa e na África Subsariana
 

Esta é a primeira vez, desde meados de 2015, que a Coface efectua mais melhorias do que agravamentos na sua avaliação de risco país.

 

A Espanha subiu para A3, enquanto aIslândiae oChipre(onde os riscos relacionados com controlo de capitais estão a decrescer) são agora avaliados comoA2eB, respectivamente. Entre os 160 países analisados pela Coface, os países da Europa Central continuam a apresentar acentuadas melhorias no ranking. Estónia (A2), Sérvia (B) e Bósnia-Herzegovina (C) registam uma melhoria no seu ambiente de negócios e o crescimento está a atingir níveis confortáveis. ABulgária (A4)confirmou a sua recuperação, graças a um crescimento moderado e à contínua consolidação do seu sector bancário. 

 

Na África Subsariana, os países de pequena dimensão atravessam um melhor momento do que os seus congéneres com economias de maior dimensão. Dois dos países com melhor desempenho da zona são oGana (B), que passou o seu teste de maturidade democrática em Dezembro passado e demonstra agora um bom nível de gestão das contas públicas, e oQuénia (A4), que desfruta de um aumento no sector do turismo e nos investimentos públicos.

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