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2016/30/09
Publicações Económicas

América Latina: porque têm as exportações do sector industrial resultados fracos?

América Latina: porque têm as exportações do sector industrial resultados fracos?

Até 2014 as exportações da América Latina foram impulsionadas pela grande apetência da China por matérias-primas e pelo aumento dos seus preços internacionais. Os recursos naturais abundantes na região geraram ganhos económicos significativos durante  este período de prosperidade e a América latina tornou-se no principal fornecedor de produtos básicos, particularmente para a China. Contudo, esta tendência desencadeou uma pressão nas taxas de câmbio em muitos países da região. Como consequência, o sector industrial ficou muito mais exposto à concorrência internacional do que o sector primário. A produção local foi por isso colocada à margem, a favor das importações, para satisfazer a procura interna. Os países da América Latina pareciam incapazes de competir com os produtos de valor acrescentado e os serviços tecnológicos.

 

Esta edição da Panorama analisa o desempenho das exportações da indústria da América Latina desde 1995 a 2015 e examina as razões de ainda permanecerem com resultados fracos, apesar da forte deteriorização das taxas de câmbio desde meados de 2014. Foram analisados dados provenientes dos seis principais países (Brasil, México, Argentina, Chile, Perú e Colômbia) que juntos representam mais de 90% de toda a exportação industrial da América Latina em 2015. A mais recente queda nos preços dos produtos foi seguida por significativas depreciações na maioria das moedas da América Latina. O Real brasileiro e os pesos Argentinos, Chilenos e Colombianos, e o Sol Peruano, foram todos depreciados em termos nominais. Isto deveria ter contribuído bastante para impulsionar as exportações da indústria, uma vez que reduz o preço de venda e aumenta a competitividade. Apesar desta vantagem, os países falharam na recuperação das receitas provenientes das vendas externas. Isto sugere que a influência da evolução das taxas de câmbio nas exportações industriais na América Latina é de alguma forma limitada.

 

A segunda parte deste estudo analisa outros factores (para além da falta de dinamismo no crescimento global, que conduziu a uma diminuição da procura externa)  que possam ter influência no fraco desempenho das exportações no sector industrial. Estes factores adicionais que podem ser obstáculos à competitividade incluem os elevados custos de mão-de-obra, a falta de qualidade das infraestruturas e o número insuficiente de acordos comerciais.

 

Globalmente, os países não conseguiram tirar vantagem durante o anterior período de prosperidade , para implementar as reformas necessárias. Mantém-se os sérios desafios, mas as receitas dos governos estagnaram. Existem grandes questões iminentes para a exportação do sector industrial, tais como: (i) a competitividade dos preços não trará ganhos significativos, devido às apreciações das taxas de câmbios e ao facto de não reduzirem os custos de mão-de-obra; (ii) não é expectável que a actividade global retome um crescimento vigoroso num futuro próximo, por isso a procura por produtos industriais vai ser limitada; (iii) a superação dos constrangimentos nas infraestruturas será complicado, à luz dos escandâlos de corrupção e da ausência de qum quadro regulatório bem definido; (iv) o protectionismo está a aumentar globalmente e o desenvolvimento de acordos comerciais com importantes zonas de comércio parece improvável.

 

Resumindo, tal como não é expectável que as exportações do sector industrial recuperem, o comércio pouco irá contribuir para o crescimento das economias na América Latina nos próximos anos. O crescimento na região deverá, portanto, manter-se lento e a Coface prevê que o PIB irá contrair cerca de 0,5% em 2016, seguido de uma recuperação marginal na ordem dos 1,2% em 2017.

 

 

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