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2016/10/11
Publicações Económicas

ABENOMICS: IMPACTO SILENCIOSO NAS EXPORTAÇÕES E NO IENE, PORQUÊ?

ABENOMICS: IMPACTO SILENCIOSO NAS EXPORTAÇÕES E NO IENE, PORQUÊ?

Desde o lançamento do programa Abenomics no início de 2013, o foco esteve na sua primeira medida, ou seja, no estímulo monetário agressivo realizado pelo Banco do Japão a partir de Abril de 2013. Os mercados sempre apelaram – e na generalidade são receptivos – a políticas monetárias mais expansionistas, mas têm existido demasiadas questões sobre o impacto desta primeira medida. Nesta análise, procuramos fornecer algumas informações com base em duas questões chave.

 

I. porquê a depreciação do Iene que ocorreu durante o sucesso inicial da primeira medida não impulsionou as exportações de mercadorias do japão?

Uma explicação simples seria imputar a culpa às forças externas de um crescimento económico mundial abaixo da média, que tem influenciado o comércio global de mercadorias, incluindo as exportações no Japão. Uma razão mais estrutural é o comportamento dos exportadores Japoneses em fixar preços tão próximos quanto possível dos do mercado, o que está a manter os preços de exportação equivalentes à moeda estrangeira e a manter os preços internos estáveis, apesar do nível do Iene. Desta forma, o estímulo da procura pelas exportações do Japão está limitado.

Este comportamento dos exportadores Japoneses poderá não agradar ao Banco do Japão, mas provavelmente ajudou a contribuir para o crescimento dos lucros operacionais da indústria Japonesa desde a depreciação do Iene em anos recentes, uma vez que foram amplamente orientados para a exportação.

Outro importante factor para determinar o impacto da flutuação do Iene na rentabilidade da indústria Japonesa poderá ser a percentagem da moeda de facturação nas suas exportações. As indústrias com um menor grau de diferenciação do produto exportado, têm uma percentagem menor de facturação em Iene, por isso, estão mais sensíveis à flutuação no Iene. Estes operadores industriais estão, por isso, mais vulneráveis durante os períodos de valorização do Iene, mas desfrutam de uma rentabilidade mais impulsionada nos períodos de enfraquecimento do Iene. Combinando esta análise teórica e empírica, as indústrias têxtil e química estão mais vulneráveis em momentos de valorização do Iene, enquanto que a generalidade da indústria está relativamente menos afectada.

 
II. porquê a política monetária expansionista introduzida pelo banco do japão está a perder o vigor e a enfraquecer o iene desde 2016?

Contra um cenário de turbulência no mercado em 2016, o status de moeda de refúgio seguro do Iene manteve o Iene num nível relativamente forte, apesar da política monetária ainda mais expansionista do país. Mais importante, quando tudo é igual, os efeitos marginais de mais estímulos monetários vão diminuir. Os últimos dados sugeriam que o Japão poderia, uma vez mais, cair numa armadinha de liquidez. O que é mais alarmante é que existem muito poucos sinais dos riscos de deflação diminuirem.

Em suma, com as possibilidades limitadas tanto para a política monetária como fiscal, o governo Japonês precisa de realizar reformas estruturais e de desregularização ambiciosas, no sentido de impulsionar a produtividade e o crescimento dos salários. Caso contrário, a situação de baixo crescimento e deflacção irão continuar no Japão.

 

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  • I. Porquê a depreciação do Iene que ocorreu durante o processo inicial da primeira medida não impulsionou as exportações de mercadoria do Japão?
  • II. Porquê a política monetária expansionista introduzida pelo Banco do Japão está a perder o vigor e a enfrequecer o Iene desde 2016?
  • Resumo da exportação de mercadoria no Japão
  • Resumo das principais alterações políticas do Banco do Japão (2013 – Setembro 2016) 
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