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2015/19/02
Risco País e Estudos Económicos

Turquia: a depreciação nas taxas de câmbio e a lenta procura interna, afectam os prazos de pagamento das empresas

Turquia: a depreciação nas taxas de câmbio e a lenta procura interna, afectam os prazos de pagamento das empresas

 

  • Os pagamentos das empresas turcas dependem da procura interna e das taxas de câmbio
  • A forte depreciação das taxas de câmbio no início de 2014 reflecte-se negativamente na rentabilidade das empresas
  • Abrandamento da procura interna devido a aumentos nas taxas de juro e medidas macro prudenciais, reflectiram-se negativamente nos prazos de pagamento
  • A Coface observa os riscos no segmento habitacional do sector da construção e, em particular, nos sectores do aço e metais não ferrosos

 

 

A divulgação da estratégia de saída do Presidente da FED, Ben Bernanke em Maio 2013, despoletou um novo período marcado por uma mudança na percepção de risco em relação ao desenvolvimento das economias nos mercados financeiros. A Turquia entrou neste período com um elevado défice da conta corrente, um sector de produção substancialmente dependente das importações e três eleições sucessivas. 

 

A forte depreciação das taxas de câmbio, que teve início em Dezembro de 2013, só estabilizou após o Banco Central ter reduzido bruscamente as taxas de juro no final de Janeiro. Contudo, esta depreciação da lira continua a afectar negativamente o balanço das empresas. Por outro lado, as medidas de restrição introduzidas pela Agência de Supervisão e Regulação Bancária (BRSA) no início do ano para conter o défice das contas correntes, fizeram com que a procura interna abrandasse, o que está entre os factores que dificultaram às empresas a recuperação dos seus créditos.

 

Em linha com estes desenvolvimentos, começaram a ser observadas deficiências na capacidade de pagamento de sectores com a produção e as vendas concentradas predominantemente no mercado interno. Tanto o aumento das facturas por cobrar como os cheques sem cobertura confirmam esta deficiência.

 

Os cheques sem cobertura ascenderam aos 15.9 biliões LT, nos primeiros 10 meses de 2014, até 5.4%. O montante de facturas por cobrar também aumentaram em 9.1 porcento ano após ano, nos primeiros dez meses de 2014, devido ao aumento das taxas de juro e ao abrandamento da procura interna.

 

A Coface prevê que a economia turca cresça em 3,1% em 2014 e em 3,5% em 2015. Em Novembro de 2014, a Coface reduziu a avaliação de risco da Turquia de A4 para B, devido a uma menor perspectiva de crescimento, um elevado endividamento do sector privado e a volatilidade das taxas de câmbio.

 

A perda da taxa de câmbio de 2 milhões e 973 mil empresas incluídas no Sistema Empreendedor de Informação do Ministério da Indústria parece ter aumentado significativamente, devido ao surto das taxas de câmbio no final de 2013. Na realidade, as perdas nas taxas de câmbio ascenderam aos 118.8 biliões LT no final de 2013, e aos 45.1 biliões LT no final de 2012. Isto é um indicador que reflecte a vulnerabilidade das empresas no que diz respeito às taxas de câmbio.

 

 “Dado que o nível das taxas de câmbio e a procura interna são dois factores fundamentais que afectam a rentabilidade das empresas na Turquia, uma recuperação moderada da procura interna no primeiro trimestre de 2015 pode afectar positivamente a rentabilidade das empresas. Contudo, os desenvolvimentos na economia global, os riscos geopolíticos, o esperado processo de subida das taxas de juro pelo FED e as próximas eleições gerais na Turquia, assinalam a persistência do risco das taxas de câmbio. O que sugere que estamos a entrar num período onde as empresas devem gerir os seus fluxos de caixa e os seus empréstimos de um modo mais consciente,”afirma Seltem Iyigun, economista da Coface para a Região do Médio Oriente.

 

Os principais riscos sectoriais assinalados pela Coface são:

 

Sector Metalúrgico (não-ferro & aço):Dependência das importações na oferta de matéria-prima, declínios nos preços da matéria-prima, e impactos negativos nas alterações nas taxas de câmbio nos custos de empréstimos, são os principais riscos que as empresas enfrentam.

 

Sector Automóvel:As taxas de imposto aumentaram no início do ano, aumentando as taxas de juro, as medidas macro prudenciais introduzidas pelo BRSA para travar os empréstimos ao consumo e o surto das taxas de câmbio, entre outros factores, resultaram num declínio significativo nas vendas internas. Todavia, mantém-se uma perspectiva positiva para as exportações.

 

Sector Alimentar:O maior risco para os produtores de géneros é o aumento dos custos de produção devido à seca vivenciada durante o ano.

 

Sector Químico:Quase 70% de dependência nas importações de matéria-prima e abrandamento do sector da construção, que está entre os principais clientes do sector, são os maiores riscos que este sector enfrenta.

 

Sector da Construção:Do lado da habitação, a incerteza criada pelo aumento das taxas de juro e abrandamento na economia, parecem ter causado uma regressão na confiança dos consumidores, o que se reflecte negativamente na procura por casa própria. O crescente fosso entre a oferta e a procura é visto como outro factor de risco.

 

Sector de Retalho:O consumo do sector privado é responsável por, aproximadamente, dois terços do PIB na Turquia. De acordo com dados recentes, as vendas a retalho continuam a aumentar e o nível de risco do sector não parece ser elevado.

 

Sector Têxtil e Confecção: Este sector, que tem uma capacidade de produção e venda, tanto para com o mercado interno como para o externo, apresenta um nível de risco médio. A tendência de recuperação nos mercados europeus e as exportações suportadas pelas mais elevadas taxas de câmbio, estão a afectar positivamente o desempenho do sector.

 

Sector Farmacêutico:A pressão causada nos preços pelo sistema de medicamentos de referência e o elevado nível de concorrência está a afectar negativamente a rentabilidade das empresas.

 

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