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2017/03/08
Risco País e Estudos Económicos

Quais os efeitos da “Trumponomics” na América Latina?

Quais os efeitos da “Trumponomics” na América Latina?

A volatilidade da situação política nos Estados Unidos semeia dúvidas em relação a futuras políticas comerciais e à vulnerabilidade da América Latina no que toca a um cenário de contracção nas condições financeiras. 

 

México e América Central são as regiões mais expostas às políticas proteccionistas americanas.

 

Costa Rica, El Salvador, Honduras e México são os países que se encontram mais vulneráveis no que toca a possíveis alterações na política de importação, devido às suas fortes ligações comerciais com os Estados Unidos, com especial incidência nos produtos manufacturados. Adicionalmente, o PIB destes países encontra-se mais dependente das suas exportações do que nos restantes países da região.  

 

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Se assumirmos que a administração Trump irá inicialmente focar-se nos países com quem os EUA mantenham um forte défice comercial, a posição do México tornar-se-á especialmente complicada. Em 2016 esse défice comercial para com os Estados Unidos apenas foi ultrapassado pela China, Japão e Alemanha

 

Dentro da região apenas dois países dos analisados nesta amostra, Equador e Colômbia, tiveram um superavit comercial em relação aos EUA no ano de 2016, e poderão também tornar-se alvos para o governo dos Estados Unidos. No entanto, este cenário parece para já inverosímil, dado que a sua contribuição para o total do défice comercial é irregular e relativamente baixo.

 

NAFTA na mira

As incertezas que rodeiam o  Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) poderão também materializar-se num atraso no investimento e, em particular, reduzir o investimento estrangeiro directo. A ameaça de Donald Trump em taxar os fundos enviados pelos emigrantes mexicanos para o seu país de origem é outro ponto de preocupação. Até agora, estes recursos haviam sido poupados.

 

De acordo com o Instituto Peterson de Estudos Económicos[i], em caso de revogação do NAFTA, o Peso iria com toda a probabilidade perder mais de 25% do seu valor. Os automóveis fabricados no México tornar-se-iam, com certeza, mais competitivos nos Estados Unidos e tal levaria a um agravamento do défice comercial dos EUA (o exacto oposto daquilo que o governo tem como objectivo).

 

Repercussões monetárias

Mesmo no caso de Donald Trump manter as suas promessas de campanha, as mesmas dificilmente se traduzirão em aumentos nas taxas de juro de referência na América Latina (com a excepção Mexicana). A inflação na América Latina foi aumentando com o desenrolar do ano de 2016, fruto de condições climatéricas adversas, que contribuíram para um aumento do preço dos produtos alimentares. Contudo, esta tendência foi travada em 2017 com um relaxamento das taxas de juro de referência por parte dos bancos centrais da Colômbia, Chile, Peru e especialmente do Brasil.   

A análise dos possíveis efeitos da “Trumponomics” sobre a dívida em divisas estrangeiras deverá ter em conta a evolução das CDS[ii] e o recente comportamento das taxas de câmbio nas economias da América latina.

Do ponto de vista da taxa de câmbio nominal, nenhum país latino-americano sofreu grande depreciação no momento da vitória de Donald Trump. Mas, uma vez mais, o Peso mexicano foi o que sofreu a maior volatilidade. Em 2016, a moeda desvalorizou-se 19% em relação ao Dólar, mas conseguiu revirar esta tendência desde meados de Janeiro de 2017, encontrando-se agora no nível em que se encontrava no início de 2016.

 

[i] PIIE : Trump’s NAFTA Approach Could Worsen US-Mexico Trade Deficit, Março 2017

[ii] O CDS (Credit Default Swap) é um contrato de permuta financeira em que o vendedor se compromete a compensar o comprador (geralmente o credor da obrigação de referência) se o devedor entrar em incumprimento ou em qualquer outro incidente de crédito

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