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2014/24/01
Risco País e Estudos Económicos

Conferência Risco País 2014

Conferência Risco País 2014
Após um reajuste pós-crise entre países avançados e países emergentes, em 2014 os riscos globais dos países estão prestes a mudar em linha com um modelo mais clássico. Nos países avançados, os riscos estão a estabilizar, impulsionados por um crescimento dinâmico nos Estados Unidos (com uma estimativa de + 2,4% para 2014), pelo início da recuperação na zona euro (+ 0,9%) e pelo confirmado crescimento no Japão (+ 1,4%). Nos países emergentes, a taxa de crescimento deverá aumentar ligeiramente (+4,7%) e permanecerá abaixo da média do período de 2000-2011.

 

Países avançados: melhoria ou estabilização

A recuperação nas economias avançadas é marcada por disparidades entre países. A situação das empresas nos Estados Unidos (avaliação A2 sob vigilância positiva desde Outubro de 2013) melhorou consideravelmente. "Corporate America" é o elo forte da economia com inúmeras forças: elevado nível de auto financiamento, nível de rentabilidade recorde, reduzido endividamento e forte investimento. Os esclarecimentos das políticas fiscal e monetária e o crescimento da procura das famílias reforça esta dinâmica positiva. Um orçamento mais claro, políticas monetárias e o crescimento na procura interna potenciam esta tendência positiva.

Na Europa, a Coface regista uma melhoria do risco na Alemanha e na Áustria (com uma previsão de crescimento de + 1,7% para os dois países em 2014), pelo que a avaliação A2 está neste momento acompanhada por uma vigilância positiva. A actividade económica alemã é altamente vulnerável às mudanças imprevisíveis do comércio global, mas agora pode contar com o consumo das famílias. As insolvências empresariais são menos numerosas e dispendiosas (durante o ano passado registaram uma diminuição de 9,1% em número e 6,3% em custos financeiros1). Este aumento da actividade beneficia a Áustria, onde a taxa de desemprego é baixa e o número de insolvências está a diminuir.

Entre os países europeus que tiveram êxito nas reformas e na redução de custos, a Irlanda destaca-se: com um crescimento previsto de +1,7% em 2014, devido a um aumento das exportações (que beneficiam do crescimento nos Estados Unidos e no Reino Unido), do comércio a retalho e do aumento da confiança das empresas e das famílias. O grande desafio no ano passado, o mercado de trabalho, começou a melhorar, e os preços dos imóveis mostram os primeiros sinais de estabilização. Esses êxitos levaram a Coface a aumentar a avaliação da Irlanda para A3, o mesmo nível da França e do Reino Unido.

O diagnóstico é mais complexo para o resto da zona euro. Pelo menos podemos dizer que os riscos não aumentaram. Em França, dado que não foi possivel reduzir significativamente os custos, as empresas continuam extremamente vulneráveis às flutuações da procura interna, a qual ainda é muito débil em comparação com a média histórica (com um crescimento previsto de +0,6% em 2014). A consequência desta vulnerabilidade deve-se ao facto das insolvências permanecerem elevadas, em torno de 62.000 em 2014. No Sul da Europa, a baixa procura interna, o tecido empresarial dominado por empresas muito pequenas e frágeis, juntamente com a falta de inovação, impede a melhoria do risco de crédito. A isto se adiciona, tal como em Espanha, um elevado nível de endividamente no sector privado.

 

Economias emergentes: tensões empresariais nos principais países emergentes embora se mantenha um bom desempenho em várias economias da África subsaariana

LA diminuição do crescimento consolidou-se nos países emergentes: em 2014, os BRIC irão perder 2,4 pontos de crescimento em comparação com a taxa média no período 2000-2011. Segundo a Coface, não se deve simplesmente a uma recessão cíclica, a não ser no que esteja relacionado com restrições do lado da oferta (a procura doméstica é muito alta para a produção local, que já não consegue acompanhar o ritmo). O investimento enfrenta obstáculos de natureza estrutural: infra-estruturas inadequadas, ambiente empresarial problemático e falta de mão-de-obra qualificada. Além disso, o enfraquecimento da oferta local aumenta as importações e, por conseguinte, os défices correntes permanecerão elevados em 2014. As taxas de câmbio irão manter-se, portanto, vulneráveis, principalmente porque as eleições vão marcar o ritmo no Brasil, na Índia, na Turquia e na África do Sul em 2014.

Quatro países da África subsaariana não estarão sujeitos a este novo aumento no risco. Apesar de uma instável situação da segurança, a Coface estabelece uma análise positiva da avaliação D no Ruanda e Nigéria e avaliação C no Quénia. A avaliação da Costa do Marfim aumentou para avaliação C. O crescimento deverá permanecer forte em 2014, mantido por uma diversificação sectorial que beneficiará o consumidor.

"A redução dos riscos nos países avançados está confirmada, ilustrada pela evolução positiva em duas das principais economias: os EUA e a Alemanha. Ambos os países beneficiam da solidez financeira das suas empresas e da recuperação assente em alicerces firmes. No que respeita aos outros grandes países europeus, o fim da recessão significa, no momento, uma estabilização nos riscos. Mas esperamos que o crescimento seja mais lento. De facto, seria necessário um crescimento de pelo menos +0,8% em Itália, + 1,6% em França e +2,5% no Reino Unido para que as insolvências diminuíssem de forma significativa. No entanto, nestas três economias o crescimento previsto para 2014 não alcançará esses níveis. Nos países emergentes, o actual défice de conta corrente e as perspectivas de fraco crescimento a longo prazo, afectam as empresas. Mas, felizmente, o mundo dos mercados emergentes é diferente: uma nova geração de países que é caracterizada pela sua resistência a choques externos, nomeadamente, muitos dos países da África subsaariana", afirma Yves Zlotowski, economista-chefe da Coface.”

 

[1] Costo financiero es medido por proveedores y deuda bancaria

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