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Alemanha: Os atrasos de pagamento atingem o nível mais elevado desde 2019, apesar da melhoria das perspetivas económicas.

A Coface publicou a 10.ª edição do seu Estudo sobre os Comportamentos de Pagamento das Empresas na Alemanha, realizado junto de 503 empresas. Embora o crescimento económico esteja gradualmente a regressar e as empresas alemãs se mostrem mais otimistas em relação a 2027, esta melhoria ainda não se traduziu numa evolução dos comportamentos de pagamento. 82% das empresas registaram atrasos de pagamento nos últimos doze meses, o nível mais elevado desde 2019. Ao mesmo tempo, as empresas estão a encurtar os prazos de pagamento para proteger a sua tesouraria, enquanto os atrasos de pagamento de longa duração e o aumento das insolvências continuam a apontar para um nível elevado de risco de crédito.

Principais conclusões

  • 82% das empresas alemãs registaram atrasos de pagamento em 2026.
  • O atraso médio de pagamento diminuiu para 30,2 dias (31,8 dias em 2025), enquanto os prazos médios de pagamento encurtaram de 32,5 para 30,6 dias, o nível mais baixo desde 2017.
  • A Coface prevê que as insolvências empresariais aumentem mais 5% em 2026, mantendo-se o risco de crédito elevado ao longo de 2027.

 

Atrasos de pagamento atingem o nível mais elevado desde 2019

Os atrasos de pagamento estão a tornar-se cada vez mais generalizados. 82% das empresas alemãs registaram atrasos de pagamento nos últimos doze meses, a percentagem mais elevada desde 2019. No entanto, a duração média dos atrasos de pagamento diminuiu para 30,2 dias, face aos 31,8 dias registados em 2025 e aos quase 40 dias observados antes da pandemia de Covid-19. O setorautomóvel destaca-se pela negativa, apresentando um atraso médio de pagamento de 45 dias, enquanto o setor do papel e embalagem regista o menor atraso médio, com 19,5 dias.

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As dificuldades financeiras dos clientes continuam a ser a principal causa dos atrasos de pagamento. Está também a surgir um potencial efeito dominó na economia alemã: 33% das empresas apontam os atrasos de pagamento dos clientes dos seus próprios clientes como um dos fatores responsáveis, sugerindo que as dificuldades de pagamento estão a propagar-se ao longo da cadeia económica.

 

Pagamentos com atrasos prolongados e insolvências apontam para a persistência do risco de crédito

Para além da frequência dos atrasos de pagamento, o aumento das dívidas com atrasos prolongados constitui outro sinal de alerta. 15% das empresas referem que os pagamentos em atraso entre 6 e 24 meses representam pelo menos 2% do seu volume de negócios anual. As empresas de menor dimensão estão particularmente expostas a esta tendência, evidenciando uma maior vulnerabilidade ao agravamento do risco de crédito e às pressões sobre a tesouraria.

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Esta situação coincide com o aumento das insolvências empresariais. O número de insolvências na Alemanha tem vindo a aumentar de forma contínua desde 2022 e a Coface prevê um novo crescimento de 5% em 2026, sendo expectável que os níveis elevados de insolvência se mantenham ao longo de 2027.

 

2027: otimismo cauteloso, mas os riscos continuam elevados

Apesar da persistência dos riscos associados aos pagamentos, as empresas alemãs mostram-se ligeiramente mais confiantes em relação ao próximo ano. Embora um número maior de empresas tenha reportado uma deterioração das condições de negócio em 2026, as perspetivas para 2027 são mais positivas: 25% esperam uma melhoria das condições de negócio, enquanto apenas 15% antecipam uma deterioração, e 45% consideram que a situação permanecerá inalterada.

Este otimismo tem, sobretudo, uma dimensão doméstica. 74% dos inquiridos identificam a Alemanha como o mercado com maior potencial de oportunidades de negócio em 2027. Os países da União Europeia e da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre) também surgem entre os mercados mais atrativos. Em contrapartida, os Estados Unidos e a China perderam significativamente atratividade: apenas 4% apontam os Estados Unidos e 1% a China como principal oportunidade de negócio, num contexto marcado pela introdução de novas tarifas norte-americanas e pela forte concorrência interna no mercado chinês.

Os principais riscos identificados são também predominantemente internos. 28% das empresas referem dificuldades relacionadas com a localização da atividade, incluindo custos elevados e burocracia excessiva, como o principal obstáculo ao seu sucesso. Seguem-se a fraca procura interna (20%) e a incerteza política (17%).

Embora o crescimento do PIB possa contribuir para uma melhoria dos comportamentos de pagamento em 2027, o desempenho económico da Alemanha continua a depender sobretudo de medidas de estímulo orçamental. O risco de atrasos de pagamento e de incumprimento deverá permanecer elevado ao longo de 2027.

 

>Para saber mais sobre os comportamentos de pagamento das empresas na Alemanha, descarregue o estudo completo.

Autores e especialistas

  • Markus KUGER

    Economist for Germany, Austria and Switzerland