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Micro e Pequenas Empresas: porque é que a cobrança de dívidas é vital para o seu negócio

A cobrança de dívidas é uma tarefa delicada e muitas vezes negligenciada pelas empresas de todas as dimensões, mas é crucial para micro e pequenas empresas. Mais expostas ao risco, estas empresas são também muito mais afetadas pela falta de pagamento e, frequentemente, não dispõem de liquidez ou recursos humanos suficientes para absorver choques financeiros com a mesma facilidade que as grandes organizações.

Sendo a principal fonte de financiamento da economia, o crédito interempresarial incentiva as trocas comerciais, mas expõe inevitavelmente ao risco de incumprimento. E, no entanto, ao conceder prazos de pagamento aos seus parceiros comerciais, as micro e pequenas empresas nem sempre estão conscientes dos riscos envolvidos.

 

Comportamento de Pagamento: deterioração generalizada

No contexto atual, os atrasos nos pagamentos representam uma ameaça para a maioria das empresas envolvidas no comércio global. E com razão: o comportamento de pagamento está a deteriorar-se em todo o mundo. Nas principais economias, as empresas enfrentam atrasos sistémicos nos pagamentos. Estes são agora mais frequentes em países como França (85%), Alemanha (78%), Polónia (60,1%), China (65%), América Latina (51%) e Ásia (49%).

Os prazos médios de pagamento estão a aumentar: mais de 50 dias em França e na América Latina, superiores aos da Alemanha (32,1 dias) e da Polónia (46,2 dias), mas ainda inferiores aos da China (76 dias) e do resto da Ásia (65 dias).

O preocupante aumento das insolvências empresariais a nível mundial é uma ilustração dramática destas tensões.As insolvências estão agora muito acima dos níveis anteriores à pandemia de 2019: 66.500 em França em 2024 (mais 15%), quase 22.000 na Alemanha (mais 18%), cerca de 18.900 nos Estados Unidos (mais 18%) e 30.680 (mais 3%) na Europa Central e de Leste (excluindo a Hungria).
As micro e pequenas empresas com volumes de negócios inferiores a 250.000 € são as mais afetadas por estas insolvências. E cada falência conta uma história semelhante: a tesouraria esgota-se, acumulam-se faturas e encargos por pagar e, no fim, dá-se o estrangulamento financeiro.

 

Micro e Pequenas Empresas são as mais vulneráveis

As micro e pequenas empresas são estruturalmente mais vulneráveis a esta turbulência económica. Habitualmente menos propensas a adotar esta prática, a maioria destas empresas está agora a conceder prazos de pagamento aos seus clientes. No entanto, a duração dos atrasos parece estar correlacionada com a dimensão da empresa e, infelizmente, são as Microempresas e PMEs que enfrentam os maiores atrasos médios.

Em média, as Microempresas e PMEs registam atrasos inferiores a um mês, sendo que as Microempresas enfrentam atrasos de 30 dias ou mais, em comparação com 15 a 30 dias nas multinacionais. Além disso, a grande maioria das Microempresas reporta prazos de pagamento mais longos, ao passo que “apenas” metade das grandes empresas enfrentam o mesmo cenário.

A maioria destas empresas atribui os atrasos às dificuldades financeiras dos seus clientes, muito à frente de problemas organizacionais ou de gestão de tesouraria (sem dificuldades financeiras). E, no entanto, poucas Microempresas e PMEs recorrem à cobrança de dívidas, devido à perceção de que o processo é complexo, moroso e dispendioso… sem garantia de resultados!

A gestão dos incumprimentos é ainda mais essencial para as micro e pequenas empresas, uma vez que estas não só são particularmente vulneráveis ao risco de não pagamento e insolvência, como também são mais fortemente impactadas pelo choque financeiro que uma dívida por recuperar pode gerar.

Um único incumprimento pode comprometer seriamente a tesouraria — e até ameaçar a sobrevivência — de uma micro ou pequena empresa!

Rachid Aoulad Hadj, Diretor Cobrança da Coface para a Europa Ocidental e África

 

Um choque muito maior para micro e pequenas empresas

No universo das micro e pequenas empresas cada euro conta. Oscilando entre níveis significativos e críticos, a dimensão do “choque” provocado por um incumprimento é muito maior para estas empresas do que para as de maior dimensão. Ao contrário dos grandes grupos, que dispõem de almofadas financeiras mais confortáveis, as microempresas e PMEs têm reservas limitadas para absorver faltas de pagamento. A tesouraria e as margens financeiras são rapidamente pressionadas por dívidas não pagas, o que pode rapidamente conduzir a uma crise de liquidez. Isto é ainda mais verdade tendo em conta que, perante custos elevados e uma procura fraca, a posição de tesouraria das microempresas e PMEs se deteriorou significativamente nos últimos anos.

Algumas destas empresas vivem mesmo dos recebimentos em caixa para cobrir os seus custos operacionais (salários, contribuições sociais, rendas, compras a fornecedores). Este funcionamento “just-in-time” coloca-as numa situação de insegurança permanente. Cada fatura não paga gera uma onda de perturbações que vai muito além da transação inicial: além de causar dificuldades financeiras, os incumprimentos geram custos acrescidos e encargos financeiros adicionais. Isto torna ainda mais difícil para uma pequena empresa manter uma tesouraria saudável e a sua capacidade de crescer.

 

Cobrança de Dívidas: Desafios Específicos para Micro e Pequenas Empresas

De um modo geral, as micro e pequenas empresas não dispõem de equipas dedicadas à cobrança de dívidas. E, nos (raros) casos em que esta é gerida internamente, o processo é frequentemente comparável a uma verdadeira corrida de obstáculos. A falta de conhecimento jurídico, o desconhecimento das etapas a seguir, a complexidade dos procedimentos e as especificidades locais a ter em conta são apenas alguns dos entraves à recuperação de créditos.

Além disso, estas empresas têm poucos ou nenhuns recursos, tanto ao nível de ferramentas de gestão de cobranças como de soluções para mitigação do risco comercial (como seguros de crédito, serviços de informação comercial, serviços de cobrança, entre outros).

Por fim, o receio de prejudicar a relação com o cliente leva muitos decisores a hesitar na hora de exigir o pagamento de faturas em atraso. Com frequência, o gestor da micro ou pequena empresa é também o principal interlocutor comercial, o que torna mais difícil dissociar-se da relação comercial e adotar uma abordagem centrada na gestão do risco. Como resultado, muitas destas empresas navegam às cegas, alternando entre tentativas tímidas de cobrança, frustração silenciosa e, por vezes, resignação.

Uma cobrança eficaz de dívidas depende, acima de tudo, da presença no terreno, da capacidade de dominar a arte dos lembretes e do cumprimento rigoroso dos prazos, bem como de um acompanhamento próximo dos clientes devedores.

Nathalie Paris, Diretor de Indemnizações e Recuperação para França, Europa e África Ocidental.

 

Cobrança Profissional: a sua solução de emergência

A proteção do fluxo de caixa continua a ser um fator crítico para todas as micro e pequenas empresas. Existem vários mecanismos que podem ser utilizados para reduzir as necessidades de fundo de maneio e melhorar a liquidez. Muitas vezes negligenciada, a recuperação de créditos pode ser o fator decisivo entre o crescimento e a sobrevivência da sua empresa.

Para micro e pequenas empresas que não dispõem de recursos humanos ou financeiros dedicados, a externalização da cobrança de dívidas deve ser vista mais como um investimento do que como uma despesa. Para além do tempo poupado e do stress evitado, esta solução contribui para limitar o risco de falhas de tesouraria, otimizar o desempenho financeiro e melhorar a rentabilidade da empresa — permitindo-lhe investir com confiança no desenvolvimento do seu negócio.

Não espere que as suas dívidas em atraso se tornem incobráveis para agir. Os serviços de cobrança de dívidas incluídos na apólice de Seguro de Crédito da Coface, proporcionam-lhe:

  • Uma equipa dedicada de gestores, apoio local e acesso em tempo real ao seu processo
  • 200 especialistas locais e soluções de cobrança em 195 países
  • Uma rede global com 250 parceiros jurídicos

 

Seguro de Crédito e Serviços de Informação Comercial: os seus escudos financeiros de longo prazo

Embora existam soluções de emergência para recuperar faturas não pagas, a médio e longo prazo é preferível evitar maus pagadores para prevenir o surgimento de dívidas. Utilizar uma ferramenta de gestão de risco financeiro é uma forma eficaz de minimizar perturbações na atividade da empresa — e é precisamente esse o papel do seguro de crédito.

Líderes internacionais no mercado de seguros de crédito, como a Coface, oferecem soluções personalizadas em quase 200 mercados. Verdadeira defesa contra o inesperado, o seguro de crédito da Coface permite-lhe desenvolver o seu negócio com total tranquilidade, graças a uma melhor avaliação dos mercados e à gestão preventiva do risco de crédito comercial com os seus parceiros (clientes, fornecedores, potenciais clientes). Em caso de incumprimento, a sua empresa está protegida: pode receber uma indemnização de até 90% das perdas sofridas.

Com quase 80 anos de experiência na gestão de risco de crédito comercial, a Coface disponibiliza também serviços de Informação Comercial para o ajudar a manter-se afastado de maus pagadores. Com 240 milhões de empresas referenciadas na sua base de dados global, a Informação Comercial da Coface permite-lhe avaliar a saúde financeira dos seus parceiros antes de qualquer transação.

 

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