Para qualquer empresa, recuperar faturas em atraso é essencial para garantir a continuidade e o futuro do negócio. Quando uma fatura não é paga, existem várias soluções ao dispor do credor, desde abordagens amigáveis até ações judiciais. Mas quando o cliente se revela insolvente, a dívida perde-se e as consequências podem ser muito graves se o valor for significativo. Por isso, o mais importante é proteger-se contra a eventual insolvência dos seus clientes (e a da sua própria empresa!). Felizmente, existem soluções.
O que é a insolvência?
A insolvência corresponde à incapacidade de uma pessoa singular ou coletiva de cumprir as suas obrigações financeiras à medida que estas vencem. No caso de uma empresa, ocorre quando o seu passivo excede os seus capitais próprios e ativos. Em termos simples, os seus bens não são suficientes para pagar dívidas a fornecedores, empréstimos bancários e impostos.
Esta situação financeira crítica conduz geralmente à declaração de suspensão de pagamentos, mas insolvência não é necessariamente sinónimo de falência: podem existir soluções de recuperação antes de ser atingido esse extremo. A empresa deve reagir o mais cedo possível, de modo a adotar medidas preventivas.
Uma vez confirmada a insolvência e não havendo solução à vista, as consequências para os credores podem ser graves: dependendo do valor das faturas em causa, a sua própria saúde financeira pode ficar comprometida. Todas as empresas devem, por isso, implementar medidas preventivas para cobrir o risco de insolvência dos clientes, por exemplo através do seguro de crédito.
Insolvência imediata ou generalizada
Existem, geralmente, dois tipos de insolvência:
- Insolvência por falta de liquidez: quando a empresa não consegue pagar dívidas de curto prazo por falta de liquidez disponível. Pode ser concedida uma prorrogação caso as perspetivas financeiras sejam positivas.
- Insolvência técnica ou de balanço: quando o valor dos ativos é inferior ao valor dos passivos. Mesmo vendendo todos os ativos, a empresa não conseguiria pagar as suas dívidas. Esta situação conduz inevitavelmente à falência.
As principais causas de insolvência empresarial
Para compreender a insolvência — e proteger-se — é essencial identificar situações e sinais de risco. No quotidiano de uma empresa, é fácil que um empreendedor alcance um ponto sem retorno sem perceber a gravidade da situação. Existem vários fatores que podem levar a uma empresa à insolvência, muitas vezes combinados.
Má gestão financeira
Gerir fluxos de caixa, fazer previsões financeiras corretas, ajustar o nível de stocks: a gestão financeira pode ser complexa, e qualquer falha pode ter grandes consequências.
Sobre-endividamento
Pode ser tentador recorrer a empréstimos para acelerar o crescimento. Porém, a acumulação de dívidas pode sufocar a tesouraria e impedir o pagamento a fornecedores. É fundamental identificar esta situação rapidamente para renegociar prazos ou reorganizar o plano de reembolso.
Quebra de receitas
Uma queda nas vendas pode dificultar o pagamento das dívidas. Perda de clientes, perda de quota de mercado, maior concorrência: a empresa deve estar atenta e ajustar os seus níveis de aprovisionamento.
Condições económicas desfavoráveis
Crises económicas, alterações regulatórias ou subidas abruptas das taxas de juro podem afetar negativamente a saúde financeira de uma empresa.
Más decisões estratégicas
Investimentos arriscados, expansões mal planeadas ou decisões estratégicas inadequadas podem precipitar a insolvência. A incapacidade de adaptação ao mercado agrava o risco.
Como proteger-se de clientes insolventes ou em risco
Para assegurar a sustentabilidade da empresa, é necessário evitar trabalhar com clientes em má situação financeira. As principais medidas preventivas incluem:
Verificação de solvência
Antes de trabalhar com novos clientes, é prudente verificar e acompanhar a sua solvabilidade através de relatórios de crédito, análise de demonstrações financeiras ou referências comerciais. Empresas especializadas podem realizar estas verificações.
Contratos claros
Os contratos devem especificar claramente os termos de pagamento, penalizações por atraso e ações previstas em caso de incumprimento.
Gestão proativa de cobranças
Um sistema rigoroso de acompanhamento das dívidas é essencial, salvo opção por externalizar o processo. Envio de lembretes antes do vencimento, contacto regular e ações imediatas perante atrasos são boas práticas.
Seguro de crédito
O seguro de crédito protege a empresa contra perdas decorrentes da insolvência dos clientes, cobrindo uma parte dos valores não pagos e uma indemnização.
Diversificação da carteira de clientes
Depender de poucos clientes é arriscado. A diversificação por setores e número de clientes reduz o impacto da falha de um deles.
Sinais de que um cliente está em risco de insolvência
Identificar clientes potencialmente insolventes é essencial. Alguns sinais de alerta incluem:
- Pagamentos cada vez mais tardios;
- Tentativas de renegociar condições contratuais;
- Outros fornecedores recusam trabalhar com ele;
- Recorre a empréstimos para manter a atividade;
- Queda anormal no número de colaboradores.
Se tiver dúvidas, solicite um relatório de crédito: é fundamental proteger-se para não seguir o mesmo caminho.
O que fazer perante um cliente insolvente e uma dívida incobrável?
Mesmo com todas as precauções, pode surgir um cliente insolvente. Eis os passos a seguir:
1. Comunicação e negociação
O primeiro passo é contactar o cliente para compreender a situação e tentar negociar um plano de pagamento faseado ou um acordo parcial. Comunicação construtiva pode ajudar a garantir prioridade no pagamento.
2. Cobrança amigável
Se a negociação falhar, deve iniciar um processo formal de cobrança amigável com cartas de lembrete e notificações. Se necessário, uma agência de cobrança pode intervir.
3. Cobrança judicial
Se as tentativas amigáveis não resultarem, a via judicial é o passo seguinte. Um advogado pode ajudar a obter uma injunção de pagamento ou a abertura de processo de recuperação.
4. Análise e ajustamento
A experiência deve servir para ajustar processos: melhorar verificações de solvência, reforçar condições contratuais e aperfeiçoar a gestão de cobranças.
Conclusão
A insolvência é um risco significativo, mas pode ser gerido e minimizado com medidas preventivas adequadas, especialmente com o apoio de um parceiro fiável como a Coface, referência mundial na atividade de seguro de crédito.
