O crescimento deverá manter-se moderado
Em 2025, prevê-se que a Bósnia-Herzegovina registe um crescimento moderado, inferior ao de outros países dos Balcãs Ocidentais. O consumo privado, que representa 65 % do PIB, continuará a ser o principal motor do crescimento. Este crescimento será sustentado por um aumento acentuado dos salários nominais (+13,9 % em janeiro de 2025), impulsionado pela escassez de mão-de-obra, e pelo consequente aumento de 61,5 % do salário mínimo bruto na Federação da Bósnia-Herzegovina (63% da população), que foi concebido para desincentivar a informalidade. Apesar do aumento dos preços dos alimentos no início de 2025, a inflação permanecerá, em geral, sob controlo, contribuindo para impulsionar o poder de compra das famílias. O turismo, depois de já ter registado um ano recorde em 2024, terá um impacto positivo na população. No entanto, um contexto económico europeu contrastante, com a política comercial dos EUA a pesar sobre a atividade na Alemanha e na Áustria (mas com uma certa robustez na Sérvia e na Croácia), poderá afetar as remessas dos expatriados, que representam 10% do PIB.
O país continuará a enfrentar uma taxa de desemprego muito elevada (27,3% em janeiro de 2025), alimentada pela sua dependência de setores saturados, como a metalurgia e a agricultura. A emigração em massa de trabalhadores qualificados está também a agravar a escassez de mão-de-obra qualificada.
Défices sob controlo, apesar da pressão das despesas públicas e das importações
O défice orçamental da Bósnia-Herzegovina poderá diminuir ligeiramente até 2025. No entanto, será marcado por um aumento das despesas em ambas as entidades (Federação e RS), que dispõem de orçamentos independentes. Este aumento diz respeito às infraestruturas, bem como às reformas sociais e salariais destinadas a manter um crescimento moderado. Com um banco central ligado ao BCE através do seu regime de câmbio fixo e da indexação ao euro, a política orçamental é a principal alavanca para influenciar as condições económicas. No entanto, as autoridades esperam receitas fiscais mais elevadas e planeiam iniciar medidas de consolidação orçamental, tais como a eliminação gradual dos subsídios à energia e a reintrodução das contribuições para a saúde. A dívida pública, entretanto, permanecerá relativamente baixa e sob controlo (20 % do PIB). Apesar do financiamento europeu para infraestruturas, a capacidade de endividamento do país continua relativamente limitada e o mercado financeiro interno está subdesenvolvido.
O défice da balança corrente persistirá, principalmente devido a um défice comercial estruturalmente elevado. Tal deve-se à forte dependência das importações de produtos industriais e alimentares, enquanto as principais exportações do país, tais como combustíveis, maquinaria e equipamento elétrico, e produtos metálicos, apenas compensam parcialmente este desequilíbrio. Por outro lado, o comércio de serviços continuará a registar um excedente, sustentado por um setor do turismo dinâmico (níveis recorde em 2024) e por uma indústria de TI em expansão. O impacto direto de eventuais tarifas dos EUA sobre as exportações bósnias deverá permanecer limitado (menos de 2 % do total das exportações para os EUA, ou 0,1 % do PIB), mas o possível efeito indireto, através de um abrandamento da procura europeia, poderá afetar as exportações para parceiros-chave, como a Alemanha e a Itália.
Na encruzilhada entre a integração europeia e a desintegração nacional
Na sequência dos Acordos de Dayton, em 1995, a Bósnia-Herzegovina foi dividida em duas entidades autónomas: a Federação da Bósnia-Herzegovina (FBiH), com maioria bósnio-croata, e a Republika Srpska (RS), com maioria sérvia, bem como o distrito de Br?ko, gerido centralmente. O poder está concentrado, respetivamente, nas duas entidades autónomas. O Estado central é responsável apenas pela política externa, pela defesa e pelas negociações de adesão à UE. As eleições nacionais de outubro de 2022 viram a vitória dos partidos nacionalistas sérvios, croatas e bósnios, tanto a nível central como a nível das entidades. O Conselho de Ministros, na qualidade de governo central, foi eleito no final de janeiro de 2023 com o apoio de 23 dos 42 membros da Câmara dos Representantes, representando oito partidos. É dominado por dois partidos: os nacionalistas sérvios (SNSD) e os nacionalistas croatas (HDZ BiH). Uma presidência rotativa tripartida, que representa os três grupos étnicos e funciona com base no consenso, representa o país. Atualmente, apenas os candidatos pertencentes a um dos três grupos étnicos podem candidatar-se às eleições. Este complexo quadro institucional é prejudicado pelo atual bloqueio das instituições centrais por parte do SNSD e pelas ações separatistas de Milorad Dodik, o seu líder e Presidente da RS. Em fevereiro de 2025, Dodik foi condenado a um ano de prisão e proibido de exercer cargos políticos durante seis anos por ter desobedecido às decisões do Alto Representante Internacional, incluindo a anulação de textos adotados pela RS em contradição com os princípios europeus. O desenvolvimento de infraestruturas, tais como o corredor rodoviário 5c e os gasodutos com a Croácia e a Sérvia, como o Gasoduto Jónico-Adriático (IAP), concebido para reduzir a dependência da Rússia, está a ser travado por desacordos internos. Apesar destas tensões, as negociações para a adesão à União Europeia tiveram início oficialmente em março de 2025, na sequência de esforços para cumprir os requisitos europeus (luta contra o branqueamento de capitais, gestão da migração). As próximas eleições gerais estão marcadas para outubro de 2026, mas é provável que a paralisia política persista até lá.
No cenário internacional, o país encontra-se no centro de importantes questões geopolíticas. A UE apoia a integração do país, mas condiciona a ajuda financeira à realização de reformas estruturais, enquanto os laços estreitos de Milorad Dodik com a Rússia complicam estes esforços. A Rússia apoia tacitamente as ambições separatistas da Republika Srpska (RS), ao mesmo tempo que critica o papel do Alto Representante internacional responsável pela supervisão da aplicação civil dos Acordos de Dayton. Ao mesmo tempo, em março de 2025, a UE reforçou a sua presença militar através da EUFOR (para garantir a implementação dos Acordos de Dayton) com o objetivo de manter a estabilidade face ao aumento das tensões. Em 2025, ano em que o país celebra o 30.º aniversário dos Acordos de Dayton, o país encontra-se numa encruzilhada: ou avança no sentido da integração europeia ou corre o risco de desintegração.

Europa
Sérvia
Montenegro
República Checa
Turquia
China
Polónia