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2017/20/02
Risco País e Estudos Económicos

Primeiro estudo sobre o comportamento de pagamento das empresas Brasileiras - 2016

Primeiro estudo sobre o comportamento de pagamento das empresas Brasileiras - 2016
Experiências de pagamento afectadas pelo cenário económico sombrio.

 

  • 75% das empresas inquiridas receberam pedidos de prorrogação dos prazos  de pagamento por parte dos seus clientes;
  • Cerca de 55% das empresas assistiram a um aumento no seu rácio de incumprimento de pagamentos.
  • A média intersectorial de atrasos nos pagamentos, chega até aos 30 dias para além dos prazos – Com a excepção do sector agro-alimentar e construção (>121 dias)
  • A concessão de prazos de crédito, é uma prática comum no Brasil. Quase todas as empresas (97%) oferecem essa possibilidade aos seus clientes, sendo a competitividade de mercado a principal razão citada para o seu uso.  

 

O  primeiro estudo sobre o comportamento de pagamentos no Brasil, efectuado junto de mais de 120 empresas e realizado pela Coface, revela que as mesmas ainda enfrentam um ambiente difícil. O ano 2017 está apenas no início, mas as previsões para o PIB são fracas. Apesar de ser esperada uma saída da recessão, o crescimento deve rondar meramente os 0,4%.   

 

Quase metade das empresas reportou uma deterioração  nas experiências de pagamento, devido a dificuldades financeiras por parte dos seus clientes.

 

A  concessão de prazos de crédito aos clientes, é uma prática comum no Brasil. Praticamente todas as empresas da amostra (97%) oferecem esta possibilidade aos seus clientes. A competitividade de mercado é referida como a principal razão para esta prática, visto que, de forma algo surpreendente, poucas empresas citaram dificuldades de libertação de fundos por parte dos seus clientes.

 

O ambiente de incerteza que se vive em termos económicos, lança uma sombra sobre os comportamentos no que toca a pagamentos. A maioria das empresas (58%) constatou um aumento no número de situações de incumprimento em 2015, quando comparado com o ano de 2014. Os resultados de 2016 foram mais divididos, já que o estudo apurou que as experiências de pagamento registaram deterioração em cerca de 46% das empresas, em relação ao ano anterior. Para a maioria das empresas (79%) a média do atraso não excede os 30 dias. A mesma percentagem dos entrevistados, reportou que a situação permaneceu estável em 2016, enquanto uma minoria de 8% referiu sentir melhorias.    

 

Apenas 13% das empresas reportaram um rácio superior a 5% na exposição de risco (rácio de vendas totais em incumprimento em relação ao volume total de vendas). Para quase 40% este rácio encontra-se entre os 0.5% e os 2% do total do seu volume de negócios.

 

De acordo com 57% dos inquiridos, as razões mais frequentemente citada pelos clientes para a solicitação de prorrogações de prazo de pagamento, são as “dificuldades financeiras”, seguidas por “elevadas taxas de incumprimento na carteira de clientes” e “dificuldades na gestão de clientes”. Adicionalmente,  81% das empresas cita o impacto da recessão económica como a razão fundamental para o desempenho dos seus clientes.

 

A instabilidade política é também um factor importante e não mostra sinais de acalmia no curto prazo. O índice de incerteza política corrobora esta percepção (Ver gráfico abaixo – Quanto mais elevado, pior). No período desde o início da operação “Lava Jato” em Março de 2014, até ao mês de Dezembro de 2016, o índice subiu em cerca de 247 pontos.

 

Brasil – Índice de incerteza política

 

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Procedimento mais eficaz em caso de incumprimento

 

A vasta maioria das empresas Brasileiras (78%) acredita que a negociação amigável é a ferramenta mais eficaz na resolução de situações de incumprimento.

 

No entanto, fazer cumprir contratos no país não é fácil. De acordo com o índice Doing Business de 2017, a demora pode chegar, em média, aos 731 dias e custar cerca de 20,7% do valor do que é reclamado. Em comparação, a média para a região da América Latina é de 749 dias com um custo de 31,3% do valor reclamado.   

 

Em relação às insolvências, a maioria das empresas analisadas (58%) viu o número de falências disparar no último ano. Em 2015 verificou-se um aumento de 55%, em relação a 2014. Um aumento adicional de 45% em 2016 foi observado, em relação ao ano anterior. Entre as empresas que reportaram um aumento nos casos de insolvência, 53% não testemunharam qualquer mudança no comportamento antes do pedido ser feito. Nos últimos anos os pedidos de insolvência tornaram-se cada vez mais comuns no Brasil e entre empresas dos mais variados sectores e dimensões.

 

Atrasos de pagamento com transversalidade sectorial.

 

No espectro de sectores analisados, a quota média de empresas afectadas por atrasos de pagamento é de 75%, com um elevado nível de incidência em quase todos os sectores.

O sector das tecnologias de informação e comunicação em conjunto com o sector da construção são os mais afectados, com todas as empresas inquiridas (100%) a reportar problemas nos pagamentos. Surpreendentemente, o sector menos afectado é o do Retalho (36,8%).

 

A média de dias de atraso por sector chega geralmente até aos 30 dias. Os únicos sectores que reportaram atrasos para lá dos 121 dias foram o sector Agro-alimentar e da Construção. Para terminar, é também digno de nota o facto de em nenhum dos casos da amostra analisada, o prazo de 150 dias de atraso de pagamento ser excedido   

 

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