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2016/19/09
Risco País e Estudos Económicos

O sector agro-alimentar em África: um sector estratégico à mercê da natureza

O sector agro-alimentar em África: um sector estratégico à mercê da natureza
  • Diversos factores favoráveis estão a impulsionar o sector, incluindo o aumento populacional, o aumento da procura por alimentos processados, os rendimentos per capita mais elevados e melhores capacidades de produção.
  • As infra-estruturas, o clima e as estratégias governamentais são grandes influências.
 
O sector Agro-Alimentar depende de vários factores

O sector agro-alimentar continua a ser um dos mais importantes sectores para as economias do Norte de África. Apesar da sua contribuição para os resultados nacionais variar em toda a região, em 2014[1] contabilizava 9,5% do PIB na Tunísia, 12,7% na Argélia, 13% no Egipto e 15,6% em Marrocos. Em 2015, o sector forneceu emprego a 21,7% do total do mercado de trabalho no Egipto, 15% na Tunísia e aproximadamente 40% em Marrocos.

 

Os factores favoráveis que suportam este sector incluem: o aumento das populações, o aumento da procura por alimentos processados, os rendimentos per capita mais elevados e as melhores capacidades de produção. No entanto, as condições locais e as estratégias governamentais exercem uma influência considerável nos desafios específicos enfrentados por cada país. Na generalidade, as estratégias governamentais para apoiar a agricultura e o sector agro-alimentar estão essencialmente preocupadas em assegurar que o fornecimento alimentar vá ao encontro das necessidade de procura – um desafio sério, agravado pelo rápido crescimento da população e pelo rendimento per capita na região.

 

Enquanto o progresso já foi alcançado, alguns problemas ainda persistem. O maior deles são as infra-estruturas relativamente precárias, que encarecem os custos de transporte e, por isso, estreitam as margens de lucro. Em algumas áreas, a topografia desafiadora e as difíceis condições climatéricas tornam quase impossível o cultivo de muitos tipos de bens agrícolas. A depreciação dos preços dos bens alimentares na região também pode dissuadir os novos investimentos no sector.

 

 

Marrocos, Argélia, Egipto e Tunísia: dinâmicas contrastantes

 

A importância do sector agro-alimentar varia entre as várias economias do Norte de África. Enquanto que ao nível regional o sector lidera as exportações, a situação difere no que respeita a cada país.

 

  • O sector agro-alimentar em Marrocos beneficia de subsídios do governo, uma vez que contribui para cerca de 16% do PIB e fornece emprego a 40% da população. Na globalidade, Marrocos detém o nível de risco mais baixo entre os países do Norte de África.
  • A Argélia não é um grande produtor de bens alimentares e, por isso, depende da importação de alimentos para satisfazer a sua procura interna. Confrontado com a erosão das suas reservas cambiais, devido à queda do preço do petróleo, o governo Argelino está a multiplicar as medidas para melhorar a sua balança comercial. Estas medidas incluem uma redução da importação de bens alimentares e produtos de agricultura.

 

  • Com o regresso da estabilidade ao Egipto, após o período de instabilidade política entre 2011 e 2013, o sector agro-alimentar começou a recuperar – especialmente porque o governo fez do desenvolvimento do sector uma prioridade.
  • Para a Tunísia, o sector agro-alimentar tem uma importância inferior aos outros países da região, uma vez que o turismo é o principal motor da sua economia.
 
Principais desafios: o baixo custo dos produtos alimentares e as difíceis condições meteorológicas

Os preços internacionais da grande maioria dos bens alimentares desceram em Julho, após cinco meses consecutivos de aumento. A média do Índice de Preço dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), foi de 161.9 pontos em Julho de 2016, 0,8% (1.3 pontos) abaixo do nível registado em Junho e 1,4% abaixo do registado em Julho de 2015. Nos primeiros sete meses de 2016, os preços dos bens alimentares desceram cerca de 9% comparativamente ao ano anterior. A descida global em Julho é devida à quedas das quotações internacionais para os cereais e os óleos vegetais[2].

 

Os baixos preços dos alimentos representam um sério desafio para o Norte de África, uma vez que a agricultura é a chave para o crescimento económico na região. Juntamente com os elevados custos de produção, as infra-estruturas precárias e as difíceis condições meteorológicas, a produção de bens alimentares requer mais esforços e apoios governamentais.

 

Enquanto que a seca é a principal ameaça para os países produtores, o El Niño (um fenómeno natural que causa um aquecimento anormal da temperatura da superfície do mar, resultando em eventos climatéricos extremos) torna a produção ainda mais difícil, devido às chuvas torrenciais, inundações e temperaturas extremas de calor e de frio. Outro risco associado aos fenómenos naturais é o El Niña. Segundo a FAO, os modelos climáticos estão agora a prever um aumento da probabilidade do El Niña (o oposto do El Niño) desenvolver-se em 2016. A verificar-se, o impacto pode incluir aumento de chuvas torrenciais e inundações, que poderão atingir as mesmas áreas já afectadas pelo El Niño.

 

As condições climáticas são extremamente importantes, uma vez que as mesmas têm um impacto directo nos preços dos bens alimentares nos países do Norte de África. Devido a esta situação, os países da região estão a apoiar os sectores agro-alimentares através de subsídios e a fazer os investimentos necessários para melhorar as infra-estruturas. Apesar das condições meteorológicas adversas, que tornam os níveis de produção voláteis, o sector agrícola representa muitas oportunidades. O crescimento demográfico, um maior  rendimento disponível e a expansão económica estão a suscitar perspectivas de venda mais positivas. Durante os próximos tempos, estes apoios podem resultar numa cadeia de distribuição mais integrada, eficiente e produtiva para o sector.

 

[1] Dados Business Monitor international

[2] Índice do Preço dos Alimentos diminuiu ligeiramente em Julho, FAO, Agosto 2016 

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