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2013/02/07
Risco País e Estudos Económicos

Itália: o comportamento de pagamento das empresas está a deteriorar

Itália: o comportamento de pagamento está a deteriorar
O “modelo de negócio Italiano está preso num ciclo vicioso 

A economia, tal como nos países mais industrializados da zona euro, em Itália acumula 7 trimestres consecutivos de contracção do PIB. A actividade diminui -2,4% em 2012, e é expectável que diminua 1,7% em 2013 (contra 0,6% na zona euro). Penalizada com a perda de poder de compra e uma elevada taxa de desemprego, existe um abrandamento do consumo. No entanto, a longo prazo, a vulnerabilidade do crescimento assenta nas taxas de actividade extremamente baixas e na pouca inovação. 

A dinâmica favorável das exportações não consegue compensar a diminuição da procura interna. Com a falta de recursos financeiros para aumentar a qualidade dos produtos, as empresas italianas perderam parte significativa do mercado mundial. Trata-se de um ciclo vicioso: a perda de competitividade – preço e qualidade - conduzem a uma diminuição das margens que, por sua vez, bloqueiam a capacidade de melhorar a competitividade e, também de recuperar as margens. 

 

Um aumento dos incumprimentos acentuado por vários factores, para além da recessão 

Tendo em conta estas vulnerabilidades, a Coface observa um agravamento acentuado no comportamento de pagamento das empresas italianas. Tradicionalmente, registam uma maior taxa de incumprimento do que outros países da Europa. Mas, desde o início da crise que esta diferença agravou-se: se em 2007 a taxa era três vezes maior do que a francesa, actualmente é 7 vezes superior.

 

Uma análise dos economistas da Coface destaca a origem desta tendência preocupante. 
  • A conjuntura não é o único factor que explica a taxa de incumprimento na Itália. Se o crescimento em Itália fosse idêntico ao dos seus vizinhos, esta taxa seria ainda mais elevada. 
  • Se o seu nível de rentabilidade e de endividamento representa a média Europeia, as empresas Italianas estão perante um recorde do declínio das margens, com um impacto sobre a capacidade de autofinanciar os seus investimentos.A dependência das empresas face ao crédito bancário, uma vez que os bancos Italianos se tornaram menos generosos na oferta, devido ao agravamento da qualidade dos seus balanços, desempenha um papel primordial nas suas dificuldades actuais. 
  • O risco de incumprimento inerente às dificuldades de tesouraria é acentuado pelo domínio das pequenas estruturas no tecido económico italiano (95% das empresas têm menos de 10 trabalhadores), uma presença muito forte no resto da Europa. Mais precárias, estas PME assistem ao agravamento da sua produtividade. 
  • Outra particularidade Italiana reside na ausência de pontualidade na liquidação de pagamentos na esfera pública.Os atrasos de pagamento, historicamente muito demorados, na admistração pública(170 dias em Itália, contra os 60 dias em França, 135 dias em Portugal e 159 na Grécia) enfraquecem o tecido empresarial. 

 

"A Coface reviu em baixa a sua previsão para o crescimento em Itália no ano 2013, em -1,7%. No entanto, o acentuado agravamento no comportamento de pagamento das empresas, observado após a crise, não está apenas relacionado com as dificuldades económicas. É fruto de problemas estruturais, incluindo a dominação no tecido global de PME demasiado fragilizadas e os enormes atrasos de pagamento da administração pública. As decisões do governo Italiano, que visam a resolução destes atrasos, são uma boa notícia. O país tem, também, uma vantagem: a especialização variada e adaptada à procura das economias emergentes dinâmicas. Mas, apenas reformas profundas permitirão explorar este potencial", afirma Yves Zlotowki, Economista-Chefe da Coface.

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Cláudia MOUSINHO
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