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2017/24/03
Risco País e Estudos Económicos

Insolvências em França : Um arranque de ano em conformidade com 2016, mas as incertezas políticas podem alterar a situação.

Insolvências em França : Um arranque de ano em conformidade com 2016, mas as incertezas políticas podem alterar a situação.
  • 2017 Arrancou como terminou 2016
  • A dimensão média das empresas insolventes aumenta.
  • As dinâmicas regionais permanecem contrastantes.
  • Melhorias nos sectores da Indústria, Construção e Serviços, enquanto o sector têxtil continua a apresentar um maior risco.
  • Caso ocorra um choque político de grandes dimensões, a previsão de uma redução de -1% em 2017 (cenário principal) poderá transformar-se num aumento de +1,1.

 

 
Apesar desta diminuição[1] a insolvência de empresas de média e grande dimensão tornou-se mais comum.

Em Janeiro de 2017 o nível de insolvências atingiu o seu valor mais baixo desde Setembro de 2012. No período deFevereiro de 2016 a Janeiro de 2017,58.031 empresas entraram em insolvência. Este valor corresponde a uma diminuição de -2,8% em relação ao mesmo período no ano anterior.

 

  • O recuo é bastante vincado no Centre-Val de Loire (-14,7%), em Bourgogne-Franche-Comté (-9,9%) e no Pays de Loire (-9,2%). Com a excepção feita do caso da Córsega (+41,1%), os raros aumentos (Hauts-de-France, Grand Est e Ile-de-France) não ultrapassam os +0,5%.

 

  • Em termos sectoriais a indústria encontra-se bem orientada (-10,9%), apesar de um aumento significativo no custo dos processos de insolvência (+32,2%), fruto de algumas insolvências excepcionais. A indústria Agro-Alimentar continua a sofrer a pressão do aumento do preço dos cereais por parte dos produtores: as insolvências em empresas de panificação aumentaram +5,3% durante o último ano. Entre os sectores de actividade em clara melhoria, estão os sectores de Serviços (-2,5%), mais especificamente os Serviços direccionados para empresas, e a Construção (-6,2%) que tem vindo a beneficiar de uma pressão em curso sobre a sua carteira de encomendas. Por outro lado, outros sectores encontram-se a experienciar um aumento no número de insolvências. O sector do vestuário (+14,8%) foi o que esteve mais exposto a riscos, mais especificamente devido à situação dos Retalhistas (2/3 das falências que sofreram com uma concorrência dupla, por parte de grupos internacionais e do aumento das vendas online). O sector dos transportes também sofreu um aumento nas insolvências (+11,8%), algo que pode ser explicado por um incremento no número de insolvências em empresas que fornecem serviços de táxi.

 

 

 

Outra boa notícias é a diminuição do número de empregos afectados por estas falências, para  - 2,6%.

 

No entanto, simultaneamente, o valor total das insolvências provocadas por incumprimento de fornecedores sofreu uma subida de +5,2% durante o ano (3,74 mil milhões de euros), depois de uma redução em 2012. A dimensão das empresas em situação de insolvência também aumentou para 4,4%, atingindo os 551.765 euros em Janeiro de 2017. Apesar de empresas com receitas inferiores a 2,5 milhões constituírem 98% das insolvências, foi o aumento do número de insolvências entre as empresas de média dimensão (com receitas superiores a 5 milhões) e uma subida passageira (entre Março e Setembro de 2016) entre grandes empresas, que explicam a exposição do custo total. Esta última categoria inclui empresas do ramo metalúrgico, que se tem mostrado particularmente propenso à ocorrência de sinistros nos últimos anos, e empresas de exportação, mais sensíveis ao abrandamento do comércio mundial.

 

O cenário expectável de um recuo de -1% em 2017 poderá ser posto em causa pela ocorrência de um choque político de grandes dimensões.

 

O calendário político francês de 2017 contêm vários momentos decisivos: As eleições presidenciais em Abril e Maio, seguidas das eleições legislativas em Junho. Segundo o modelo Coface de medição de risco para a Europa Ocidental, a França encontra-se nos 38%, cerca +13 pontos desde 2007. Encontrando-se assim atrás da Grécia (68%), que regista os valores mais elevados, da Itália (60%) e à frente da Alemanha (35%).

 

Este aumento do risco político é susceptível de afectar o crescimento através dos mercados financeiros e dos níveis de confiança, tanto nas empresas como nos agregados familiares. Vários cenários são possíveis:

 

  • Cenário principal para 2017: Na ausência de um choque político e tendo em conta um crescimento do PIB de 1,3%, a Coface prevê um novo recuo nas insolvências de -1%.

 

  • Em caso de um choque politico que se traduza num aumento do índice Europeu de incerteza política, semelhante ao que aconteceu no Reino Unido após o referendo de Junho, o crescimento não ultrapassará 0,7% e as insolvências aumentariam +1,1% (um impacto 2,1 de pontos) em 2017.

 

  • A médio prazo, caso a França saísse da Zona Euro, o seu PIB iria sofrer uma redução de 9 pontos[2], e as insolvências sofreriam um aumento na ordem dos 27%.

[1] Situação no final de Janeiro de 2017, tendo em conta dados referentes ao  ano anterior.

[2] Segundo o Instituto Montaigne

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