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2018/23/01
Risco País e Estudos Económicos

Conferência Risco País 2018: a recuperação continua, mas chama-se a atenção do risco para as empresas associado ao sobreaquecimento da economia

Conferência Risco País 2018: a recuperação continua, mas chama-se a atenção do risco para as empresas associado ao sobreaquecimento da economia

Por ocasião da sua conferência anual sobre risco país e risco sectorial, a Coface partilha com as empresas as suas perspectivas sobre as principais tendências da economia mundial para 2018.

 

Rumo a um aumento do crescimento mundial em 2018

 

O ano 2017 trouxe algumas agradáveis surpresas económicas, apesar de ter começado com a ameaça do proteccionismo e ter sido marcado por numerosas eleições e crises políticas. Apenas treze países terminaram o ano em recessão, em comparação com vinte e cinco em 2016. O comércio mundial deu um salto espectacular (cresceu 4,4% em 2017, de acordo com as perspectivas da Coface, face a 1,5% em 2016), enquanto que os riscos associados ao proteccionismo acabaram por não ocorrer: o total das medidas proteccionistas no mundo inteiro foi apenas de 283 em 2017, face a 374 em 2016), apesar de terem aumentado nos Estados Unidos. O comércio cresceu mais do que o expectável nos Estados Unidos, na Europa, assim como em vários países emergentes, apoiado pelo aumento gradual do preço de algumas commodities. Assim, as avaliações de risco-país para o Brasil (B) e Egipto (B) foram melhoradas.

 

Entre os vencedores na aceleração do comércio mundial encontram-se várias economias cuja avaliação de risco-país melhorou: Países Baixos (A1), Coreia do Sul (A2),Taiwan (A2), Singapura (A2) e Hong Kong (A2). A Grécia beneficiou do regresso da confiança dos consumidores e das empresas, tendo sido revista em alta a sua avaliação risco-país, da categoria C (risco elevado) para B (risco significativo).

 

Apesar dos riscos políticos continuarem elevados, a Coface melhorou as avaliações da Ucrânia (actualmente C),Moldávia (C) e Geórgia (B) que estão a beneficiar de um bom crescimento resultante das melhorias económicas na Rússia e da clara recuperação da Europa. O Cazaquistão (B) está a beneficiar do aumento do preço da produção de petróleo e do investimento público relacionado com o projecto da “Nova Rota da Seda”, promovido pela China.

 

Em 2018, o crescimento global poderá atingir um novo pico (a Coface prevê +3,2%). Nos países emergentes, é expectável que a recuperação seja mais forte (com um crescimento de 4,6%, de acordo com a Coface) e, acima de tudo, mais sincronizada. Nos países avançados, a tendência descendente das insolvências continua, mas começa a abrandar (as previsões são apenas de -1,8% em 2018, após uma queda de -6% em 2017) à medida que os países regressam aos seus níveis pré-crise. O Reino Unido registará um aumento das insolvências (mais de 10%, de acordo com a Coface) num contexto de contínuas incertezas políticas.

 
Os três maiores riscos em 2018

 

Esta melhoria global não está livre de riscos. A Coface alerta para os três maiores riscos:

 

  1. 1.    Maiores limitações da oferta nas economias avançadas

 

A partir do segundo semestre, a questão do sobreaquecimento da economia irá ser particularmente relevante para as empresas nos países avançados. Os níveis historicamente baixos de desemprego na Alemanha, nos Estados Unidos e na Europa Central indicam que as empresas estão prestes a atingir a sua capacidade máxima de produção. Este problema de oferta é partilhado com as empresas francesas, as quais, paradoxalmente, enfrentam problemas de escassez de mão-de-obra, apesar do elevado nível de desemprego, o que pode restringir o seu crescimento.

 

  1. 2.    O risco bancário ainda presente na China

 

Temporariamente ocultas em 2016 e 2017, como resultado do investimento público, as fragilidades estruturais da economia chinesa estão a vir à superfície: o excesso de produção de aço e o endividamento elevado das empresas, sob a forma de crédito bancário e de sistemas bancários “paralelos”. Neste contexto, o risco bancário aumentou significativamente, especialmente para os bancos de pequena e média dimensão.

 

  1. 3.    O risco político sob vigilância  num contexto de um calendário eleitoral carregado

 

O ressurgimento do risco político não pode ser excluído em 2018. A frustração social ainda é elevada nos países emergentes, no início de um ano cheio de eleições, e é acompanhada por altos níveis no índice de risco de conflitos sociais da Coface no Irão (71%), no Líbano (65%), na Rússia (64%), na Argélia, em Brasil e México (61% nos três casos). No Médio Oriente, o risco é exacerbado pela volatilidade dos preços do petróleo. A Arábia Saudita está também marcada por um elevado nível de risco nesse sentido (65%), sendo que a Coface reviu em baixa a sua avaliação de risco-país para C.

Vários sectores estão a recuperar, com a excepção da indústria do automóvel no Reino Unido

 

No sentido de fornecer às empresas uma visão mais completa e aprofundada dos riscos no mundo, a Coface analisa o risco de crédito de 13 sectores de actividade em 24 países, representando quase 85% do PIB mundial.

 

O ano 2018 inicia com a revisão das avaliações de 18 sectores de actividades, dos quais 15 são positivos. O sector metalúrgico foi o que apresentou as melhores notícias, como resultado do aumento dos preços do metal. O risco já não é considerado “muito elevado” mas sim “elevado” em Itália, na Índia e naTurquia, e “médio” nos Países Baixos. O sector energético está a recuperar no Canadá (actualmente “risco elevado”) e nos Estados Unidos (“risco médio”), em linha com o aumento da produção e dos preços. Em França, a avaliação do sector da construção foi revista pela segunda vez em nove meses e é, actualmente, de “risco baixo”.

 

A indústria automóvel no Reino Unido evolui de forma contrária ao resto da Europa Ocidental. Os primeiros sinais adversos do risco de um futuro “hard Brexit”: a diminuição do investimento, da produção e das vendas, causada pela deterioração da confiança dos consumidores e dos investidores, explicam a degradação do sector para “risco elevado”.

 

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A Avaliação de Risco País da Coface (160 países) é feita numa escala de oito níveis, por ordem ascendente de risco: A1 (risco muito baixo), A2 (risco baixo), A3 (risco bastante aceitável), A4 (risco aceitável), B (risco significativo), C (risco elevado), D (risco muito elevado) e E (risco extremo).

 

 

A Avaliação de Risco Sectorial da Coface (13 sectores em 6 regiões geográficas, 24 países que representam quase 85% do PIB mundial) é feita numa escala de quatro níveis: risco baixo, risco médio, risco elevado e risco muito elevado.

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