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2014/10/11
Risco País e Estudos Económicos

Comércio global: é pouco provável um retorno aos níveis pré-crise, mas o potencial de crescimento existe

Comércio global: é pouco provável um retorno aos níveis pré-crise, mas o potencial de crescimento existe

Após 30 anos de uma expansão sem precedentes, o comércio global está a atravessar um período de mudança radical. Será o abrandamento um fenómeno cíclico ou duradouro e estrutural?

 

 

 

 

O comércio global continua a ser afectado pelos efeitos adversos da crise

 

Desde a crise económica de 2008-2009, a taxa de crescimento do comércio internacional tem vindo a diminuir, afectada sobretudo por uma queda de longo-prazo do crescimento global. Este abrandamento estrutural e temporário nos principais países emergentes é, particularmente, prejudicial para o comércio global, já que a sua escala está estreitamente associada ao súbito aumento das suas exportações (multiplicado por um factor de 6 em 20 anos, relativamente a um factor de 2.2 para as economias avançadas). Adicionalmente a isto, o segundo efeito negativo da crise é a queda na procura de matérias-primas. Entre os principais países emergentes, aqueles cujo crescimento de exportações anual é o mais forte como em meados de 2014 (Polónia, Roménia, Índia, Filipinas), vendem, sobretudo, bens manufacturados e não matérias-primas.

 

O decepcionante desempenho das exportações de vários países coincide com um aumento no proteccionismo[1], que está a travar o comércio. No total, a Argentina, a Rússia e a Índia, introduziram, respectivamente, mais do que 250 medidas[2], entre Julho de 2008 e Julho de 2014, quase o dobro dos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. A Rússia, no que diz respeito às recentes medidas introduzidas pelo seu governo de banir a importação de produtos agro-alimentares vindos da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália, torna-se no país mais proteccionista.

 

 

 

Uma tendência global para incluir países emergentes na cadeia de valor

 

Os efeitos da crise no comércio foram evidenciados pela crescente importância, a partir dos anos 2000, dada aos processos de internalização da produção. É precisamente este canal que fez com que a crise de 2008-2009 expandisse-se rapidamente para o comércio global. O comércio dos bens intermediários[3], que estão no seio da cadeia de valores global, caiu cerca de 25% em 2009. Ainda limitado (com a excepção da Ásia),o comércio inter-regional não tem conseguido compensar os efeitos da crise, apesar da proliferação de acordos para liberalizar o comércio. O comércio inter-regional tem uma proporção do total das exportações ainda baixa na maioria das regiões emergentes – 11% para África, 20% para a América Latina e 15% para a CEI - Comunidade dos Estados Independentes.

 

Contudo, a aparente resiliência da cadeia de valor global à crise, revela perspectivas de crescimento a médio-longo prazo. A margem para melhorias parece considerável, graças sobretudo à integração dos países emergentes nesta cadeia global. A título de exemplo, temos o caso de África. É provável que, o aumento da classe média na Ásia favoreça o estabelecimento das empresas em África onde os custos de produção (tais como os têxteis e o sector do vestuário) estão altamente dependentes dos custos de trabalho.

 

 

A previsão: crescimento limitado, mas menos volátil, do comércio

 

A Coface antecipa, todavia, uma aceleração no crescimento global do comércio de cerca de 5% em 2015- um nível mais elevado do que o verificado nos últimos dois anos.

 

A queda do crescimento potencial nas principais economias desenvolvidas e emergentes, faz com que seja improvável assistir ao crescimento do comércio internacional regressar aos níveis anteriores à crise. Contudo, a tentativa de aceleração no crescimento global e a contínua internacionalização da cadeia de valores, revelam que o crescimento no comércio global irá aumentar em 2015”, afirmou Julien Marcilly, Chefe do Departamento de Riscos.

 

Adicionalmente à taxa de crescimento, a estrutura de comércio mundial irá experienciar alguma agitação. A expansão do sector de serviços nas economias avançadas e emergentes vai, provavelmente, conduzir a uma expansão semelhante no comércio. A rapidez deste processo irá depender em grande parte da velocidade à qual a tecnologia se desenvolverá. Este desenvolvimento tem uma grande vantagem: é provável que faça com que as flutuações no comércio global sejam menos acentuadas, dado que as variações no sector de serviços são geralmente menos pronunciadas do que na indústria.

 

Estas previsões levam a Coface a assumir que, nos próximos anos, o crescimento do comércio global será mais modesto, mas também menos volátil.

 

[1] O proteccionismo envolve uma política de estado com o objectivo de proteger as empresas estatais contra a competição das empresas estrangeiras. As medidas proteccionistas, tal como definido pelo Banco Mundial, podem tomar variadas formas, incluindo: protecção ou medida anti-dumping, garantias ou medidas compensatórias.

[2] Fonte: GTA

[3] Bens Intermediários: bens que são importados, processados e reexportados.

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