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2017/29/06
Risco País e Estudos Económicos

Brexit: Apesar dos diversos choques, o Reino Unido mantem-se atractivo para as empresas.

Brexit: Apesar dos diversos choques, o Reino Unido mantem-se atractivo para as empresas.
  • As empresas têm mostrado resiliência desde o referendo, mas sinais de uma possível quebra no investimento, começa a ser visível.
  • A quebra no crescimento (1,4% em 2017 e 1,2% em 2018) levará a um aumento no número de insolvências, de  8,7%[1]  e  8%[2] respectivamente.
  • Prevê-se que o declínio no fluxo migratório proveniente da UE poderá  ter um impacto negativo no crescimento do Reino Unido, de 0,3 pontos no caso de um "soft Brexit" e de até 0,6 pontos, no caso de um "hard Brexit".
  • Apesar do contexto empresarial se poder tornar menos atrativo, o país ainda oferece vantagens significativas para os investidores.

 

Apesar da resiliência económica do Reino Unido, uma atitude expectante até à conclusão do processo, deverá proliferar entre as empresas e intensificar-se durante a fase de negociações.  

 

Um ano após o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), as empresas têm demonstrado uma resiliência apoiada no consumo interno (subida de 2,6% em 2016), condições de crédito favoráveis e uma forte procura global. No último trimestre de 2016, os lucros empresariais totalizaram mais de 105 mil milhões de Libras Esterlinas – Um valor recorde. Os níveis de confiança aumentaram significativamente, especialmente entre as pequenas e médias empresas, após uma quebra inicial, aquando o rescaldo do referendo. A queda aparatosa da Libra, que pode ser identificada como consequência mais visível da iminência do Brexit, explica o reforço da exportação, mesmo se os benefícios da competitividade dos preços se mantenham ligeiros.

 

Apesar das condições económicas favoráveis e das margens de lucro elevadas para as empresas, as incertezas em relação às negociações entre o Reino Unido (RU) e a UE já começaram a causar um declínio nos investimentos (8,8% do PIB em 2016, o mais baixo desde o início da crise). Esta tendência deverá intensificar-se à medida que Abril de 2019 se aproxima. Sectores onde o investimento é mais dispendioso, como, por exemplo, o metalúrgico, o Automóvel e a Construção, serão provavelmente os mais afectados.

 

A fase de negociação será um teste para a sustentabilidade das empresas. A partir de 2017, o abrandamento no consumo das famílias, devido a crescentes pressões inflacionárias, deverá resultar num enfraquecimento do sector retalhista (cujo risco a Coface reviu em alta de “médio” para “elevado” em Março de 2017). Esta situação deverá também colocar pressão no sector Automóvel, mas de modo menos intenso, pois uma vez que se espera um reforço da  procura externa. Adicionalmente, a margem de lucro de muitas empresas deverá sofrer um declínio gradual, como consequência do aumento dos custos de produção, resultantes da depreciação na taxa de câmbio. Neste contexto, a Coface estima que o número de insolvências no RU poderá subir até aos 8,7%1 no ano de 2017 e 8%2 em 2018, principalmente devido a um declínio no crescimento, que deverá situar-se nos 1,4% em 2017 e 1,2% em 2018.   

 

Confrontada com uma atractividade em declínio e maiores restrições comerciais e de políticas de migração, as empresas do Reino Unido serão obrigadas a adaptar-se a uma nova realidade.

 

Quando o Reino Unido deixar a União Europeia na primavera de 2019, o choque proteccionista terá um impacto significativo na política comercial. Este facto tornar-se-á especialmente claro no caso de umhard Brexit(com um regresso às regras da OMC), devido ao aumento de barreiras tarifárias e não-tarifárias. De acordo com a OCDE, a perda no PIB em 2030 poderá ser de 7,5%, no caso de umhardBrexit, em comparação com cerca de 5%, no caso de umsoft Brexit.

 

O choque comercial poderá ser acompanhado por escassez de mão-de-obra em alguns sectores, em consequência das políticas de restrição à imigração que deverão ser implementadas. No caso de umsoft Brexit(o cenário de referência para Coface), uma queda de um terço no fluxo migratório de origem europeia, poderá resultar numa perda de crescimento de 0,3 pontos no PIB em 2019 – Quase tão acentuado como no cenário proteccionista para a mesma situação. Este valor, poderá subir até aos 0,6 pontos no cenário mais extremo, com uma queda na emigração de cerca de dois terços. Sectores que empreguem grande numero de migrantes qualificados de origem europeia – tais como a Industria, Retalho, Transportes, Comunicações e Serviços Financeiros – serão os mais afectados.

 

Independentemente do umsoft Brexitouhard Brexit, a atractividade do país no que toca a angariação de investimento será forçosamente afectada, com o investimento directo estrangeiro a cair por cerca de 22%2. Neste momento, o Reino Unido é o principal destino europeu para o investimento directo estrangeiro, em primeiro lugar para os sectores Financeiro, Comunicações e Informação, seguidos pelos Transportes e Logística. O Brexit irá significar um impacto negativo no investimento nas empresas e na acumulação de capital nas empresas, com consequentes reduções na inovação, pesquisa e desenvolvimento.

 

As empresas do Reino Unido, que  dispõem de dois anos para preparar a saída da União Europeia, terão forçosamente de ajustar as suas estratégias para esse acontecimento. Algumas das empresas mais frágeis e de pequena dimensão poderão desaparecer ou terão de adaptar o seu modelo de negócio, para aumentar a sua resiliência. Outras terão de ajustar as suas estratégias sectoriais e geográficas, através de uma relocalização para países como a Alemanha, França, Irlanda ou os Países Baixos. No entanto, o Brexit não irá reduzir na totalidade a atractividade estrutural do Reino Unido, que irá reter a maioria das suas vantagens. Essas mais valias incluem a transparência, o bomgovernance,um ecossistema benéfico para as empresas e um mercado de trabalho que combina a diversidade e flexibilidade. O Brexit não reduzirá a atractividade do sistema de impostos do RU, que de facto deverá tornar-se ainda mais apelativo, com a previsão de uma redução da taxa do imposto de 20%, no inicio de 2017, para 17%, em 2020.                 

 

 

[1] Estas estimativas foram produzidas através do ajuste do modelo de modo a ter em conta a quantidade excepcional de falências ocorridas no último trimestre de 2016, devido a alterações regulatórias (1796 Casos). Sem este ajustamento, as falências em 2017 teriam descido para 2,7% e subido para 8,8% em 2018.  

[2] Estas estimativas foram produzidas através do ajuste do modelo de modo a ter em conta a quantidade excepcional de falências ocorridas no último trimestre de 2016, devido a alterações regulatórias (1796 Casos). Sem este ajustamento, as falências em 2017 teriam descido para 2,7% e subido para 8,8% em 2018.   

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