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2016/26/10
Risco País e Estudos Económicos

Aumento dos riscos políticos em países desenvolvidos: a espada de Dâmocles assombra as maiores economias da Europa

Aumento dos riscos políticos em países desenvolvidos: a espada de Dâmocles assombra as maiores economias da Europa

 

  • A Coface criou um indicador de riscos políticos para os países da Europa Ocidental
  • Ao longo do último ano, os riscos políticos escalaram na Europa, aumentando uma média de 13% na Alemanha, França, Itália, Espanha e no Reino Unido
  • Um novo choque político, na mesma escala do provocado pelo referendo do Reino Unido, irá afectar o crescimento da Europa cerca de -0,5%
  • O impacto da incerteza política nas economias Europeias pode ser ainda maior, se Donald Trump vencer as eleições presidenciais dos Estados Unidos da América

 

Uma agenda política Europeia decisiva nos próximos meses

 

Os períodos de crise económica conduzem naturalmente a um aumento da incerteza política, e este aspecto é crucial na avaliação do risco dos países. A Europa tem vindo a demonstrar sinais claros de aumento dos riscos políticos desde 2011. O desemprego, as desigualdades e as repercussões da profunda crise financeira, estão entre os factores que espalharam descontentamento entre o eleitorado. Esta conjuntura desestabilizou os governos em funções e conduziu ao aumento do nacionalismo e de partidos políticos mais conservadores. O nível de risco político evoluiu para um outro patamar após o referendo no Reino Unido, em Junho de 2016, o qual resultou numa votação favorável à saída do Reino Unido da União Europeia. Desde Dezembro de 2016 a Outubro de 2017, o calendário político Europeu será preenchido com eventos políticos decisivos, incluindo o referendo em Itália, o risco da terceira eleição legislativa em Espanha no espaço de um ano, a eleição presidencial Francesa e as eleições legislativas na Alemanha.

 

Um novo indicador de risco político para as economias Europeias

 

Neste contexto, é fundamental medir o impacto do aumento acentuado dos riscos políticos no crescimento, no investimento privado e na confiança dos consumidores. Os economistas da Coface adaptaram, deste modo, o seu modelo de aferição dos riscos políticos (que foi criado para os mercados emergentes, após os eventos da “Primavera Árabe”). O indicador de risco político para os países da Europa Ocidental utiliza, contudo, critérios diferentes. Alguns destes critérios são económicos (tais como o aumento das taxas de  desemprego, as desigualdades de rendimento e o défice estrutural dos saldos orçamentais), enquanto outros são políticos e sociais (tais como o Eurocepticismo, os sentimentos anti-imigração, a fragmentação da conjuntura política e a corrupção). O indicador de risco político da Europa aumentou cerca de 13 % em apenas 10 anos, com um pico em 2013, durante a crise da dívida soberana. Não surpreendentemente, a Grécia actualmente a  classificação mais elevada, com 64%, seguida muito de perto pela Itália, com 60% (acima dos 35% e 42% registados em 2007, respectivamente). A Grécia e a Itália são os países onde os aumentos  percentuais são mais significativos devido à crise da imigração, à austeridade orçamental imposta pela Europa e pelo eurocepticismo. A França não se fica muito atrás, com uma pontuação de 48% (mais 13 % desde 2007), enquanto que a Alemanha está nos 35%. Apesar da França e da Alemanha apresentarem aumentos muito ténues, as suas pontuações continuam a reflectir as preocupações económicas e sociais subjacentes, em ambos os países.

 

Um choque semelhante ao Brexit e uma vitória de Donald Trump, afectaria o crescimento Europeu 

 

O crescimento económico e os riscos políticos estão interligados. Os riscos políticos difundem-se primeiramente através de dois canais: mais propriamente, a volatilidade do mercado (que pesa sobre as condições financeiras da economia no cômputo geral) e uma menor confiança das famílias e das empresas (que leva ao adiamento das decisões de consumo e de investimento). Existem, contudo, algumas excepções, tal como Espanha, que não parece ter sido afectada pela instabilidade do seu governo, que ocorre desde 2015. No sentido de medir as consequências, a Coface tem em consideração o indicador de Incerteza sobre Política Económica (IPE).

 

  • Na eventualidade de um grande choque político que desencadeie um aumento deste indicador (semelhante à situação no Reino Unido no momento do referendo, em Junho passado), a Coface estima que este será o impacto entre as maiores economias da Europa Ocidental:
      • Reino Unido: -0,5% (0,9% em 2017)
      • Alemanha: -0,4 a -0,5% (1,7% em 2017)
      • França: -0,7% (1,3% em 2017)
      • Itália: -0,2% (1% em 2017)
      • Espanha: -1,2% (2.3% em 2017)

 

  • Paradoxalmente, se Donald Trump vencer as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América, o choque económico poderá ser ainda maior na União Europeia do que nos EUA. A Europa irá efectivamente perder 1,5 pontos. A intensidade deste choque irá reflectir o papel sistémico da economia dos EUA.
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