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2017/19/01
Risco País e Estudos Económicos

Atrasos de pagamento das Empresas Polacas: Estudo sobre o comportamento de pagamentos aponta para uma frequência da prática.

Atrasos de pagamento das Empresas Polacas: Estudo sobre o comportamento de pagamentos aponta para uma frequência da prática.

O mais recente estudo sobre o comportamento de pagamentos efectuado pela Coface, confirma que a prática da venda a crédito é correntemente utilizada pelas empresas Polacas. Apesar da utilização do crédito a clientes se ter  tornado comum, tal não significa que estes estejam a ser pagos atempadamente. O estudo da Coface revela que quase um quarto das empresas Polacas enfrentam atrasos que ultrapassam a data de pagamento limite, em pelo menos três meses. A tendência geral para o atraso nos pagamentos deverá começar a decrescer – Mas não de forma clara em todos os sectores.      

 

O primeiro estudo da Coface sobre as experiências de pagamento das empresas na Polónia foi realizado durante um período de abrandamento económico no país.  O decréscimo nos co-financiamentos da UE e a crescente incerteza por parte das empresas, levou a uma contracção no investimento em activos fixos. No entanto, tal não teve efeitos nefastos no crescimento geral da economia polaca no ano passado. A Coface estima que o PIB da Polónia atingiu os 2,7% em 2016 e prevê uma aceleração para os 3,1% em 2017.

 

Prazos de crédito curtos mas atrasos de pagamento de longa duração

 

As vendas a crédito tornaram-se numa prática comum no mercado, sendo normalmente utilizadas pela maioria das empresas Polacas. No entanto, a maioria das empresas mostra relutância em aguardar muito tempo pelos pagamentos, resultando por isso a utilização de prazos de crédito normalmente curtos, não ultrapassando os 30 dias. Os sectores dos Transportes, Metais e Construção são os mais generosos, com prazos de crédito mais longos. Por outro lado, os sectores Agro-Alimentar, Têxteis-Vestuário e Retalho, são os mais restritivos. As empresas Polacas estão cientes dos riscos inerentes da venda a crédito, sendo que a maioria  das empresas analisadas dispõe de termos e condições, no que respeita aos prazos de crédito. As ferramentas mais comuns para mitigar os riscos de pagamento incluem a análise da situação financeira do cliente, a monitorização de pagamentos, o seguro de créditos e a cobrança de dívidas.

 

“Não foram só as vendas a crédito que se tornaram uma prática comum. Infelizmente, os atrasos no pagamento também são recorrentes nas empresas Polacas”,explica Grzegorz Sielewicz, economista da Coface para a Europa Central e de Leste. “A maioria das empresas Polacas já experienciou atrasos em pagamentos, sendo as indústrias da Construção e dos Transportes as que assinalam os incumprimentos mais longos. Estas indústrias reportam atrasos de quase 84 e 113 dias, respectivamente, em comparação com uma média de 51,5 dias a um nível intersectorial.”        

 

O estudo da Coface revela que cerca de dois terços das empresas reportaram atrasos de pagamento até um máximo de 60 dias. Simultaneamente, quase um quarto das empresas Polacas enfrentam um atraso nos recebimentos, que muitas vezes excede a sua data de vencimento em pelo menos três meses. Os incumprimentos mais longos podem ser especialmente danosos, visto que, segundo a experiência da Coface, cerca de 80% dos pagamantos em atraso, que excedam os seis meses, nunca serão pagos na sua totalidade. Quase 4% das empresas Polacas reportam este tipo de incumprimento a longo prazo. O estudo revela ainda que os créditos em dívida acumulados com muita antiguidade, representam já uma parte visível do volume de negócios das empresas. Uma em cada cinco empresas, indicou que estes incumprimentos a longo termo representam mais de 10% do seu volume de negócios.  

 

Segundo os cálculos efectuados pela Coface, a média dos atrasos de pagamento, transversal a todos os sectores de actividade, é de 51,5 dias. No entanto, em certos segmentos, o tempo de espera é muito superior, em particular para os sectores dos Transportes (112,9 dias) e da Construção (83,6 dias). Por outro lado, o sector do Retalho beneficia dos períodos mais curtos, com uma média de 19,3 dias.  

 

 

Melhorias no horizonte

 

Em linha com a aceleração no crescimento do PIB da Polónia este ano, as empresas Polacas esperam uma estabilização, ou até mesmo redução, nos prazos de pagamento durante o ano de 2017. A maioria dos inquiridos no estudo, acredita que o abrandamento do ano transacto foi um fenómeno de curta duração, com 40% na espectativa de um aumento de vendas durante os próximos seis meses e na antecipação de um crescimento na rentabilidade em cerca de 54%. Ao nível sectorial, são esperadas melhorias nas vendas nos sectores do Retalho, Energia, dos Têxteis-Vestuário e da indústria Automóvel. Em contraste, os sectores dos Transportes, Informação e Tecnologia, Metais e Construção, prevêem redução nas vendas para os próximos seis meses.

 

Em termos de antecipações futuras, no que diz respeito aos atrasos de pagamentos, quase metade das empresas questionadas não esperam nenhuma alteração nos próximos seis meses. Existe uma maior percentagem de empresas (29%) que esperam assistir a um declínio nos incumprimentos, em relação às que prevêem um aumento (22%). Uma análise por sectores, indica que alguns irão ser mais afectados que outros durante os próximos meses. No sector da Construção, por exemplo, 55% das empresas esperam ver um crescimento nos atrasos de pagamentos, enquanto apenas 12% prevêem um decréscimo. Estas considerações estão em perfeita sintonia com a avaliação de risco realizada pela Coface, em relação ao sector da Construção na Polónia. Desde Novembro de 2016 que este sector se encontra no grau de “Risco muito elevado”. Em linha com os melhoramentos no financiamento do actual orçamento da EU, o sector da construção deverá desfrutar de um ambiente de negócios mais positivo e os riscos de liquidez deverão decrescer. O regresso do investimento, por parte do sector privado, em activos fixos e uma alteração na tendência decrescente do ano passado no investimento em edifícios e estruturas, deverá também apoiar o ressurgimento do sector da Construção.

 

Apesar destas melhorias serem aguardadas para 2017, os seus efeitos só deverão ser visíveis na segunda metade do ano. Adicionalmente, uma parte significativa (39%) do sector dos Transportes espera um aumento nos atrasos de pagamentos, 8% acreditam que existirá um decréscimo e mais de metade não antecipam qualquer mudança na conjuntura. As preocupações principais deste sector relacionam-se com as fracas dinâmicas do comércio global e as medidas proteccionistas implementadas em alguns países da região Oeste da Europa, no que respeita ao transporte rodoviário, e as crescentes dificuldades em ocupar vagas de emprego. Estes factores continuarão a ter peso no sector dos transportes este ano. Em contraste com esta situação, os sectores dos Têxteis-Vestuário, Metais e da indústria Automóvel esperam uma notória queda nos incumprimentos.              

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