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2015/19/06
Risco País e Estudos Económicos

Após uma década de reformas bem implementadas e um forte crescimento, a economia turca aparenta ter dificuldades para manter o ritmo de crescimento

Panorama Turquia
  • A Coface espera uma taxa de crescimento de 3.5% para este ano, sólida, mas ainda por baixo do potencial de crescimento estimado de 5% e por baixo de alguns países homólogos.
  • Os principais desafios da economia turca são: a alta volatilidade da lira turca ; a recuperação, embora ainda frágil, do crescimento na Europa ; e os riscos geopolíticos com influência no mercado de exportação.
  • Os sectores têxteis e de confecção encontram-se entre os mais afectados pelo desenvolvimento da economia global e pelas recentes tensões regionais.
  • O sector farmacêutico permanece forte, apesar das rigidas regulamentações e baixas margens de rentabilidade.

Durante os últimos 10 anos, a economia turca apresentou uma taxa média de crescimento de 4,9%, impulsionada pelo consumo doméstico.Durante o período após a crise financeira mundial, a Turquia beneficiou particularmente das condições internacionais de liquidez a baixo custo para o financiamento do consumo doméstico e das despesas de investimento. Contudo, a recuperação da economia dos Estados Unidos e a estratégia de saída da Reserva Federal, impulsionaram a economia mundial para uma nova fase.

Estas novas condições criam novos desafios para a economia turca, especialmente devido a moeda. O incremento da volatilidade, junto com a incerteza política, está a impactar negativamente sobre o consumo e as despesas de investimento. Os custos de produção estão a aumentar devido ao fortalecimento do dólar. As exportações estão a sofrer pela debilidade do euro e pelas fortes tensões regionais, pelo que a economia se vê obrigada a lutar para manter o seu crescimento anterior.

 

Turkey´s ivestment and saving rate (%GDP)

 

turquia

                  

A capacidade para fabricar produtos de maior valor acrescentado, com a finalidade de incrementar as receitas de exportação, é outro dos desafios da economia turca. A diversificação e sofisticação das exportações turcas foram convertidas num tema problemático, na linha com os crescentes riscos do mercado tradicional da exportação turca.

“A última décadademonstrouque a economia turca não pode crescer sem aumentar o seu défice em conta corrente. A principal fonte do défice externo está na balança comercial.O facto de a maioria das exportações turcas terem um nível médio tecnológico, contribui para esta situação, uma vez que reduz a sua competitividade. Os produtos turcos que incorporam um alto nível de investigação e desenvolvimento representam 3% do total das exportações. A sofisticação da exportação turca continua  a ser limitada, o que supõe uma barreira para o incremento do volume e valor das suas exportações. Isto aparenta ser um dos motivos do estancamento das exportações turcas durante 2014 e princípios de 2015, após o crescimento registado desde 2002,” refere Seltem İYİGÜN, Economista da Coface para Médio Oriente e Norte de África.

Apesar destes inconvenientes, a Turquia goza de algumas forças económicas – como um baixo défice orçamental e uma decrescente divida publica, em  linha com a diminuição do crescimento. O possível tratado entre o Irão e os países P5 +1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e a República Popular da China) poderia também apresentar novas oportunidades de investimento e exportação para as empresas turcas.

Os sectores têxteis e de confecção são dois dos mais afectados pelo desenvolvimento da economia global, sendo que as tensões regionais também estão a influenciar as exportações das empresas turcas do sector. A Coface elevou a avaliação de risco do sector têxtil de “médio” a “elevado”, devido principalmente ao impacto restritivo do fortalecimento do euro nas receitas das exportações; ao incremento dos custos de importação e produção; á frágil recuperação da Europa, o seu principal mercado; às perdas registadas na Ucrânia e Rússia e finalmente a deterioração do comportamento de pagamento das empresas. Por outro lado, o sector da confecção actualmente mantem um nível de risco médio, mas é acompanhado de perto. Os esforços dos produtores para incrementar a exportação (principalmente para os países vizinhos e EUA) aparentam ser uma prometedora estratégia para superar este óbice.

O sector farmacêutico é sólido, apesar das fortes regulamentações e das baixas margens de rentabilidade. A Coface avalia, o nível de risco do sector, como baixo. O sector beneficia da facilidade oferecida aos cidadãos turcos para aceder aos serviços de saúde, o alto rendimento per capita e as despesas farmacêuticas per capita. Apesar da pressão imposta pelo sistema de referência nos preços, restringindo o investimento em novas tecnologias, o sector ainda tem bases sólidas para o desempenho financeiro estável. A cobrança das dívidas é estável, e, tão pouco foram registados atrasos nos pagamentos por parte do Estado.

 

Os principais riscos sectoriais que a Coface destaca são:

  • Sector Metalúrgico(excluindo o ferro e o aço): Nível de risco muito elevado. A dependência das importações com respeito á matéria-prima, a descida dos preços dos produtos básicos e o impacto negativo da volatilidade do tipo de alterações sobre os custos dos empréstimos, são os principais riscos que as empresas enfrentam. Algumas delas também estão a sofrer danos no fluxo de caixa, devido ao fortalecimento de algumas moedas.
  • Sector Automobilístico: Nível de risco médio. As vendas incrementaram-se fortemente no início de 2015, seguidas de uma contracção de 10% em 2014. As empresas deste sector geralmente gozam de uma economia sólida, a qual reduz o risco relativo ao risco de incumprimento de pagamento. 
  • Sector Alimentar: Nível de risco médio. O maior risco dos produtores de alimentação é o aumento dos custos de produção, devido às duras condições climatéricas desde o início de 2015. Os pequenos e médios produtores foram particularmente afectados por este aumento dos custos.
  • Sector da Construção: Nível de risco muito elevado. O aumento dos juros do Banco Central no início de 2014, a débil actividade económica e o aumento da inflação, resultaram numa descida na procura do segmento imobiliário. Os baixos custos dos empréstimos e a estabilidade do mercado laboral, dois dos factores mais importantes que impulsionaram as vendas de habitação no passado, talvez não sejam tão benéficos para o sector no próximo período.
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