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2014/07/07
Risco País e Estudos Económicos

A economia Turca – o que esperar em 2014

A economia Turca – o que esperar em 2014
  • Esperada diminuição do défice em 2014, em consonância com um crescimento mais lento
  • Inflação acima da meta de final do ano, do Banco Central, devido à depreciação da lira
  • Risco político a ser monitorizado no próximo período
  • Deterioração global do risco, excepto sectores industriais orientados para o exterior

 

 

Os riscos empresariais sob pressão em 2014

 

Em 2013, a economia turca registou um forte crescimento de 4% graças ao dinamismo na procura interna. As despesas de consumo e investimento, contribuíram em 3.7 pontos e 1.1 pontos, respectivamente, para o crescimento anual do país. As exportações líquidas, contudo, afastaram-se da taxa de crescimento em 2.3 pontos, enquanto a procura interna impulsionou as importações. Os preços elevados dos produtos alimentares, a forte procura interna e a acentuada depreciação da lira no final de 2013, resultaram no aumento da inflação de 7.4%, mais elevada do que o objectivo do Banco Central de 5%.

 

Antes das próximas eleições presidenciais, a realizarem-se em Agosto de 2014, a Coface é prudente na sua avaliação dos riscos empresariais na Turquia. Se as tensões políticas aumentarem novamente, como aconteceu em Dezembro e em Janeiro, os investidores poderão fugir do país, o que poderá resultar numa flutuação nos mercados Forex. Esta situação impactaria negativamente no stock de dívida externa do sector empresarial, actualmente já com um registo elevado.

 

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Contribuição para o crescimento (%)

 

Em 2014, é espectável que o crescimento enfraqueça, ao mesmo tempo que a procura interna desacelera, devido às elevadas taxas de juro e às restrições para diminuir o excessivo crescimento dos empréstimos. O desemprego deverá aumentar, no médio e longo-prazo, em conformidade com o abrandamento económico. A acentuada depreciação da lira durante o período de Dezembro a Janeiro, juntamente com o aumento dos empréstimos obtidos, criam riscos no sector privado devido aos custos de produção mais elevados e às margens de lucro mais reduzidas.

 

Tendo estes factores em consideração, em Março a Coface colocou a avaliação de risco país A4 da Turquia sob vigilância negativa. 

 

“Nestas circunstâncias, o risco para as indústrias cujas actividades são principalmente conduzidas pela procura local, seria maior. As indústrias orientadas para o exterior, estarão numa situação mais vantajosa, beneficiando da recuperação na Europa- o maior parceiro de comércio da Turquia, e uma lira mais enfraquecida”,disse Seltem Iyigun, economista da Coface para o Médio Oriente e Norte de África.

 

  • Sector da construção: Resiliência no primeiro trimestre do ano, mas a procura de habitação está a diminuir

 

Espera-se que o abrandamento na procura interna e o aumento das taxas de juro, afectem negativamente o sector da construção. Durante o primeiro trimestre, as vendas de habitação permaneceram mais fortes do que o esperado, com uma descida de 6 por cento, comparado com o mesmo trimestre em 2013. Contudo, a quota de casas financiadas por hipoteca, desceu 30 por cento, durante o mesmo período. No curto ou médio prazo, o aumento das taxas de juro pode colocar pressão sobre as vendas. Isto, por sua vez, pode ter um impacto adverso nas indústrias que trabalham com o sector da construção, tais como a indústria cimenteira, metalúrgica, aço, e produtos de linha branca, etc.

 

  • Os sectores têxtil e vestuário beneficiam da debilidade da moeda local e do regresso dos clientes Europeus

 

A depreciação da lira constituiu uma vantagem para os sectores têxtil e vestuário, já que os seus produtos irão tornar-se mais competitivos comparativamente aos seus pares. Estes sectores já dispõem do benefício da proximidade aos países europeus (os seus principais clientes), fortes capacidades e um enorme parque de maquinaria. Os dados iniciais mostram que a recuperação da Europa suportou as exportações dos têxteis e vestuário para a região. Como os Estados Unidos e União Europeia estão a considerar assinar um acordo de parceria de comércio e investimento, investir na Europa de Leste poderá ser uma estratégia relevante para os produtores turcos, sendo que tal irá permitir-lhes exportar para os Estados Unidos e, simultaneamente, estar isentos das taxas aduaneiras. Em 2014, as exportações irão compensar o abrandamento da procura interna. A volatilidade das taxas de câmbio e dos preços das matérias-primas, continuam a ser os maiores factores de risco para estes sectores. A estratégia de marca, a pesquisa e os esforços de desenvolvimento são os factores chave que precisam de ser considerados para o progresso destas indústrias a médio e longo prazo. 

 

  • O sector automóvel: queda das vendas no mercado interno, foco nas exportações

 

As restrições no crédito ao consumo, o aumento das taxas e a depreciação da lira, provavelmente, vão prejudicar as vendas da indústria automóvel no mercado interno. A venda de veículos comerciais ligeiros e de passageiros caiu cerca de 25.5% ao longo do período de Janeiro-Abril, comparativamente ao mesmo período em 2013. Contudo a recuperação dos mercados Europeus e a depreciação da lira devem apoiar as exportações, que aumentaram 4% ao longo do ano. Qualquer alívio da sobrecarga fiscal, ajudará a indústria a beneficiar mais do forte potencial do mercado interno - um importante factor para a melhoria da performance das exportações.

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