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2017/22/06
Risco País e Estudos Económicos

A Rússia emerge da recessão, mas dificuldades estruturais ameaçam o seu crescimento no médio prazo.

A Rússia emerge da recessão, mas dificuldades estruturais ameaçam o seu crescimento no médio prazo.

A diversificação da economia Russa, tornada necessária pela queda duradoura do preço do petróleo, terá de defrontar dificuldades estruturais que poderão ter efeitos potencialmente nefastos no seu crescimento a médio prazo. Vários sectores (Agro-Alimentar, Químico, Automóvel, entre outros) parecem beneficiar de uma retoma, que poderá contribuir para uma recuperação em 2017. 

 

 

As maiores barreiras à diversificação: Falta de mão-de-obra em 2020 e falta de investimento.

 

Depois de dois anos de contracção na actividade económica (-2.8% em 2015 e -0.2% em 2016), as previsões de crescimento da economia Russa em 2017 são novamente positivas, apesar de fracas (1%, segundo a Coface). A vulnerabilidade do seu crescimento no médio prazo, pode resultar da sua dependência dos hidrocarbonetos. Apesar da recente subida no preço do petróleo, a Rússia não pode considerar esta conjuntura como sustentável, nem contar com um crescimento na produção petrolífera.

 

A diversificação da sua economia, que se encontra identificada como parte do plano estratégico do estado Russo, depara-se com vários obstáculos estruturais, em particular com o desenvolvimento demográfico do país que, desde 2010, tem vindo a manifestar um decréscimo da população activa. Para além disso, as sanções impostas após a crise na Ucrânia e as falhas no sistema governativo (Qualidade regulatória, liberdade política, corrupção) limitam a apelatividade do país no que toca a investidores estrangeiros. Acresce que capital privado Russo nem sempre é direccionado ao mercado interno, com vários empreendedores a favorecer a poupança em detrimento do investimento.   

 
Apesar da tendência da competitividade estrutural apontar para melhorias, a Rússia precisa de aperfeiçoar as suas unidades de produção e a sua produtividade. 

 

Ao deparar-se com estas dificuldades estruturais e num contexto difícil, tanto em termos nacionais como internacionais, a Rússia terá de manter os seus níveis de competitividade em alta. Progressos consideráveis já foram alcançados a este nível nos últimos cinco anos (da 67ª posição em 2012-2013 para 43º em 2016-2017[1]).

 

A evolução do preço do petróleo e a conjuntura internacional (levantamento das sanções) serão decisivos para o investimento privado, em declínio desde 2013, e para a retoma que tornaria possível a melhoria e expansão das unidades de produção.

 

Apesar dos níveis de educação e de investigação científica se encontrarem entre as mais-valias do país, o nível de produtividade permanece baixo (cerca de sete vezes mais baixo do que nos EUA e cerca de cinco vezes mais baixo do que a UE), e num patamar relativamente estático. No entanto, o custo do trabalho por unidade é relativamente elevado.

 

A acentuada queda cambial do Rublo no período 2014-2015, levou a que certos produtos Russos se tornassem competitivos face a produtos importados, mas tal aconteceu em sectores que receberam medidas de apoio específicas como o Agro-Alimentar, o Químico e o sector da Borracha/Plásticos. Estes sectores continuarão a potenciar o crescimento económico. Para além disso, depois de dois anos de acentuado declínio (-36% em 20105 e -11% em 2016) a venda de veículos automóveis aumentou entre Março e Abril de 2017, anunciando uma tendência mais positiva para este sector em 2017.          

  

 

[1] Segundo o ranking do Fórum Económico Mundial (Índice Global de Competitividade)

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