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2016/22/12
Risco País e Estudos Económicos

A Economia Alemã em 2017: Estável, mas não estabilizada

A Economia Alemã em 2017: Estável, mas não estabilizada

Os sinais do futuro desenvolvimento económico da Alemanha são promissores, com um elevado nível de estabilidade. As expectativas da Coface para um crescimento sólido são, por isso, uma pequena surpresa. Este ano espera-se que o produto interno bruto (PIB) cresça cerca de 1,8%. O crescimento para o próximo ano, de 1,7%, será apenas marginalmente inferior. O principal motor de crescimento será, uma vez mais, o consumo interno, basicamente impulsionado pelos níveis de emprego recorde, ou seja, excepcionalmente elevados. Os riscos para a Economia Alemã podem ocorrer do lado das exportações. Espera-se que o comércio mundial apresente um crescimento moderado em 2017 e alguns riscos específicos estão “à espreita” em alguns dos principais países destinatários das exportações da Alemanha. – tais como o recente Brexit e o arrefecimento das economias na China e nos Estados Unidos da América. Além disso, os impactos económicos da eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA são, ainda, incertos. As exportações na Alemanha vão crescer cerca de 2,3% em 2016 e 3,4% no próximo ano.

 

Menos insolvências, mas perdas mais elevadas

 

Neste cenário, a Coface prevê que a queda gradual nas insolvências irá continuar, sendo 2017 o quinto ano consecutivo de registo de níveis baixos (caíndo para um volume de cerca de 21,000). Contudo, esta tendência decrescente deverá continuar a um ritmo ligeiramente mais lento. Após diminuir cerca de 5% este ano, a Coface prevê uma nova queda nas insolvências de cerca de 4,2% em 2017.

 

Apesar das perspectivas positivas, o montante de crédito malparado nos processos de insolvência poderá aumentar, à medida que diversos sectores, especialmente entre as grandes empresas, estão sob a pressão acrescida da concorrência, dos custos e das margens de lucro. Até Agosto de 2016, as dívidas com probabilidade de serem afectadas pelos processos de insolvência iniciados, excediam claramente o montante verificado nos primeiros oito meses de 2015. Com um volume de cerca de 20 Mil Milhões de Euros, as dívidas de 2016 são cerca de 70% superiores em relação ao montante total das dívidas do ano passado. A explicação desta situação, prende-se com o facto de existirem mais insolvências entre as empresas de grandes dimensões, tais como a Steilmann e a Unister, apesar do menor número de insolvências em termos absolutos. As dívidas nos processos de insolvência registam um aumento acentuado entre os freelancers, serviços técnicos e científicos, com cerca de 8 mil milhões de euros, tendo atingido cerca de 4 mil milhões no sector industrial (excepto construção) e nos sectores de comércio, com mais de 2 mil milhões. Os sinistros também aumentaram significativamente no sector agro-alimentar, apesar do montante de crédito malparado ser relativamente pequeno em termos de volume (cerca de 0,5 mil milhões de euros).

 

“A perpectiva estável para a economia Alemã não significa que as empresas na Alemanha possam abrandar a sua vigilância no próximo ano. Existem vários riscos externos que podem afectar, em particular, a economia Alemã orientada para a exportação. Adicionalmente, após o cansaço face às reformas da Grande Coligação, não podemos esperar assistir ao aparecimento de novas medidas de política económica por parte do próximo governo. Estas incertezas vão dissuadir as empresas de expandir os seus investimentos, para além dos limites controláveis no próximo ano”, explica Mario Jung, economista da Coface especialista na região do Norte da Europa.

 

A taxa de crescimento das exportações Alemãs está claramente a abrandar desde o segundo semestre de 2015

 

Apesar de mais um ano recorde em 2015 (face ao volume de exportação) para as exportações de bens Alemães, a taxa de crescimento contraíu nitidamente a partir do segundo semestre de 2015. No primeiro trimestre de 2016, o crescimento das exportações Alemãs ficou quase estagnado, devido a um ligeiro declínio no volume do comércio mundial, pela primeira vez desde o Outono de 2010. A posterior recuperação esteve longe de ser dinâmica. No primeiro semestre de 2016, tanto o comércio mundial, como as exportações Alemãs, tiveram desempenhos bastante fracos. Os exportadores Alemães registaram uma ligeira melhoria no Segundo Trimestre, devido ao crescimento moderado do comércio mundial. As exportações na Alemanha apresentaram uma reacção fortemente desproporcionada face às vicissitudes do comércio mundial, em particular com crescimentos ou quedas inesperadas.

 

A perspectiva para as exportações Alemãs em 2017 é cautelosamente optimista. No entanto, os riscos que prevalecem nos países com importância para o comércio Alemão, devem ser tidos em conta. Uma análise das perspectivas económicas para 2017, para o top 10 dos países destinatários das exportações Alemãs, revela uma maior tendência de enfraquecimento do que em 2016. Cerca de 60% de todas as exportações Alemãs destinam-se a estes países.

 

O abrandamento económico em quatro dos cinco mais importantes países, é particularmente relevante. No Reino Unido, o terceiro maior país de destino, a Coface espera uma grande queda no crescimento, com uma descida de 1,9% para 0,9%, em grande parte devido ao Brexit. Prevê-se que esta situação tenha um impacto substancial nas exportações Alemãs.  Na China, o abrandamento gradual do crescimento deverá continuar – tal como o pessimismo nos EUA – actualmente o “cliente” mais importante da Alemanha, representando cerca de 9% de todas as exportações. França, o segundo maior destino das exportações, deverá sofrer um novo revés no crescimento económico em 2017.

Estes impactos negativos, serão parcialmente compensados por uma perspectiva económica ligeiramente melhorada dos restantes países do grupo Top 10, a par com as elevadas expectativas de crescimento para os países emergentes e em desenvolvimento – que respresentam cerca de 30% das exportações Alemãs.

 

O consumo privado é o principal impulsionador da actividade

 

“As perspectivas de crescimento sólido para a economia Alemã, residem principalmente no dinamismo do consumo privado”, explica Mario Jung. “O consumo das famílias irá aumentar ainda mais em 2017, alcançando um pico de 2,0% - face aos 1,9% em 2015 e 1,6% em 2016. Para contextualizar este facto, a média de crescimento do consumo privado,  entre 2006 e 2014, foi de apenas 0,8% e o crescimento da economia Alemã dependia principalmente das exportações líquidas.” Em 2017, espera-se que os impulsos ao crescimento provenientes das exportações sejam residuais e podem inclusive diminuir ligeiramente. A Coface prevê que esta forte dinâmica nas despesas do consumo privado, assegurará um crescimento do PIB na ordem dos 1,7%, contribuindo com dois terços (ou 1,1% pontos percentuais).

 

Eleições em 2017: irá a Grande Coligação chegar ao fim?

 

É pouco provável que os partidos da coligação governamental consigam escapar incólumes durante as eleições do próximo ano. De acordo com inquéritos recentes, tanto o partido Democrata-Cristão como o Partido Social Democrata, estão a atingir resultados mais baixos do que aqueles que registaram nas últimas eleições parlamentares (em Setembro de 2013). Ambos os partidos estão também abaixo nos resultados das sondagens realizadas no final do ano 2015.

Contudo, o panorama geral para o futuro do Governo Federal reflecte estabilidade e qualquer outra solução para além da renovação da Grande Coligação será uma surpresa. Todas as sondagens apresentadas demonstram que a Grande Coligação tem uma margem de segurança para obter a maioria absoluta, enquanto não existir maioria para qualquer outra coligação de dois partidos. Mesmo uma aliança tripartida do Partido Social-Democrata, da Esquerda e dos Verdes, que foi considerada por vários grupos, teria muito poucas probabilidades de obter uma maioria absoluta.

Uma grande Coligação, com dimensão mais pequena – à medida que a probabilidade da AfD (Alternativa para a Alemanha) se transforme numa força política adicional no Bundestag – irá dificultar o consenso político. Pela primeira vez desde 1953, seis grupos parlamentares, que cobrem um largo espectro político, estarão representados no Bundestag. Adicionalmente, os líderes (Merkel para União Democrata-Cristã e Gabriel para o Partido Social-Democrata) são tudo menos inquestionáveis, para alcançarem o sucesso de grandes projectos de reestruturação sob a alçada da próxima Grande Coligação – incluindo aqueles que abrangem as políticas económicas e sociais – o que agravará a situação.

Este riscos potenciais para o desenvolvimento político na Alemanha, alimentar as incertezas políticas na comunidade Europeia, criando um impedimento adicional na construção de consensos ao nível da União Europeia. 

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